Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Diplomacia até as últimas consequências', diz Bolsonaro sobre Venezuela

Mas brasileiro não revela teor de conversas privadas com Trump, com quem discutiria ação militar

Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump durante entrevista coletiva no jardim da Casa Branca - Brendan Smialowski / AFP
Marina Dias Patrícia Campos Mello
Washington

Pouco tempo depois das declarações que concedeu ao lado do presidente Donald Trump, nesta terça-feira (19) em Washington, Jair Bolsonaro afirmou o Brasil vai atuar com "diplomacia até as últimas consequências" diante da crise da Venezuela.

Bolsonaro, no entanto, afirmou que não poderia dizer o que o americano conversou com ele a portas fechadas.

Antes, ao lado de Trump, Bolsonaro não havia descartado uma ação militar no país vizinho — interpretado como um esforço para não desagradar ao americano.

Integrantes do governo americano afirmam que Trump iria sondar Bolsonaro sobre a possibilidade de o Brasil apoiar uma ação militar na Venezuela. A ala militar do Planalto, porém, é contra qualquer intervenção que extrapole a ajuda humanitária na fronteira.

"Diplomacia em primeiro lugar, até as últimas consequências. Trump repetiu que todas as hipóteses estão na mesa. O que ele conversou comigo reservadamente, me desculpa, mas não poderei conversar com vocês", afirmou o líder brasileiro em coletiva de imprensa perto da Blair House, onde está hospedado em Washington.

"A certeza é que nós queremos resolver essa situação, porque o Brasil está sendo prejudicado. E não nos interessa, nem a nós e nem a eles [EUA], que um país se perpetue na situação que se encontra a Venezuela", completou.

Momentos antes, ainda na Casa Branca, Trump havia dito a repórteres que discutiria com Bolsonaro uma possível ação militar na Venezuela --ambos apoiam o autodeclarado presidente interino Juan Guaidó, líder da oposição a Nicolás Maduro.

Bolsonaro fez um balanço de sua visita aos EUA, no qual celebrou a assinatura de salvaguardas tecnológicas, que vai permitir o uso comercial da base de Alcântara. Para ele, a base estava "ociosa, pior, deficitária, e agora será vantajoso" para o Brasil. 

Perguntado se não estava cedendo demais, por exemplo ao conceder visto a turistas aos americanos sem contrapartida, disse que alguém tem que ceder as mãos primeiro.

"Muitas portas foram abertas, alguns acordos assinados, e sinalizações positivas porque temos muita coisa em comum. Na conversa reservada, ocorreu muita informalidade e acredito que o Brasil selou um momento de grandes coisas para nossa pátria", completou Bolsonaro.

Sobre o Brasil deixar a posição privilegiada na OMC (Organização Mundial de Comércio) em troca de entrar na OCDE, como exigência dos EUA, Bolsonaro disse que "nada de profundidade" havia sido tratado.

Trump disse que apoia o ingresso do Brasil no clube dos ricos, mas o país ainda precisa cumprir diversos requisitos para entrar no grupo.

"A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, falou da questão da carne de porco, da carne de gado. Na questão também do etanol de milho, que está entrando no Brasil com uma taxa de 25%, eles querem baixar ainda isso. A questão do açúcar, o açúcar aqui é de beterraba, o nosso de cana-de-açúcar. Então Trump nos disse que podemos fazer uma conta de chegada nessas questões..  E a questão da OMC é uma questão de tempo", afirmou.
 
Por fim, Bolsonaro afirmou que convidou Trump para ir ao Brasil, mas nenhuma agenda foi acertada.

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