Boca de urna aponta vitória ampla de Narendra Modi na Índia

Aliança do primeiro-ministro deve obter com folga maioria para governar

Nova Déli | Reuters

A aliança de Narendra Modi, 68, primeiro-ministro da Índia, deve assegurar ampla maioria no Parlamento na eleição encerrada neste domingo (19), mostram pesquisas de boca de urna.

A Aliança Democrática Nacional, que inclui o partido de Modi, deve conquistar de 339 a 365 cadeiras da câmara baixa do Parlamento, composta por 545 membros. A aliança de oposição, liderada pelo partido Congresso, deve alcançar de 77 a 108 cadeiras, segundo pesquisa da India Today Axis.

Para governar, um partido precisa obter ao menos 272 cadeiras. Na última eleição, em 2014, a aliança de Modi conseguiu 336 assentos.

criança em meio a fila de adultos com roupas coloridas
Eleitores indianos em fila para votar na ilha de Ghoramara, no domingo (19) - Dibyangshu Sarkar/AFP

Pesquisas de boca de urna, no entanto, têm histórico controverso nesta que é a maior eleição do mundo, com 900 milhões de eleitores —dos quais cerca de dois terços votaram no pleito de sete etapas, que durou seis semanas. Segundo analistas, pesquisas com frequência erram o número de cadeiras, mas o resultado geral tem sido acertado.

Os números apontados são muito melhores para Modi do que o esperado. O primeiro-ministro foi alvo de críticas no início da campanha por ter falhado em criar empregos e aumentar os preços de produtos agrícolas, o que criou insatisfação entre os numerosos agricultores. A disputa eleitoral se desenhava acirrada, com o partido Congresso ganhando território.

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O primeiro-ministro indiano Narendra Mori, em evento com apoiadores em Varanasi (Índia) - Adnan Abidi/Reuters

O principal opositor de Modi era Rahul Gandhi, herdeiro da dinastia Nehru-Gandhi, que governou o país por 49 anos e saiu maculada por acusações de corrupção.

Modi fez campanha apelando a sua base nacionalista hindu e transformou a disputa em uma briga por segurança nacional, após uma escalada nas tensões com o Paquistão. Belicoso, ele acusou seu rival de não ser duro o suficiente com o país vizinho.

A contagem de votos começará na quinta-feira (23), e os resultados finais são esperados para o mesmo dia. As mais de 1 milhão de máquinas de votação ficam armazenadas, nos próximos dias, em salas blindadas com guardas e câmeras de vigilância.

Medidas de segurança extra foram impostas no estado de Bengala Ocidental, onde houve uma escalada de violência entre os seguidores das duas principais correntes. Uma bomba caseira foi jogada contra um centro eleitoral na capital do estado, Calcutá, mas ninguém ficou ferido, segundo as autoridades.

Na cidade, um grupo atacou um escritório do partido de Modi, o BJP (Bharatiya Janata Party, ou partido do povo indiano) e a polícia teve que remover ativistas que bloqueavam seções eleitorais. 

A campanha toda foi marcada pela agressividade, cheia de insultos entre as duas principais lideranças políticas. O primeiro-ministro se apresentava como “vigilante da nação” e chamava Gandhi de “burro” e “ladrão”. 

Notícias falsas também foram motivo de preocupação —houve até caso de imagens alteradas para simular um almoço de Gandhi e Modi com o premiê paquistanês.

Com as pesquisas indicando clara maioria da aliança de Modi, os mercados de ações da Índia devem subir nesta segunda (20), e espera-se que a rúpia indiana também se fortaleça contra o dólar, de acordo com agentes do mercado. Uma vitória ampla de Modi significaria que ele poderá realizar reformas que investidores esperam, que buscam tornar a Índia um lugar mais fácil para negócios estrangeiros.

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