Gleisi visita Lula e diz que Ciro não é pauta do PT e nem da conversa com ex-presidente

Segundo a senadora, ficou combinado que duas pessoas, além da família, poderão visitá-lo às quintas

A senadora Gleisi Hoffmann concede entrevista em frente à superintendência da Policia Federal em Curitiba
A senadora Gleisi Hoffmann concede entrevista em frente à superintendência da Policia Federal em Curitiba - Eduardo Anizelli - 8.abr.18/Folhapress
 
Ana Luiza Albuquerque
Curitiba

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou a jornalistas nesta quinta-feira (3), após visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba (PR), que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) não foi assunto da conversa. "Não é pauta do PT nem da conversa", disse.

Após negociação com a Polícia Federal em Curitiba (PR), onde Lula está preso, Gleisi e o ex-governador Jaques Wagner conseguiram autorização para visitar o petista. Segundo a senadora, ficou combinado que duas pessoas, além da família, poderão visitá-lo separadamente, durante uma hora total, nas tardes de quinta-feira. A lista deverá ser encaminhada pela defesa às autoridades policiais.

Eles foram os primeiros fora da família a conseguir encontrar Lula, após a negação de uma série de pedidos pela Justiça Federal. No dia 25 de abril, a juíza Carolina Lebbos decidiu que novos requerimentos deveriam ser encaminhados à polícia.

A senadora interveio quando jornalistas questionaram Wagner sobre sua declaração de terça-feira (1º), quando admitiu que o PT poderia ocupar a vice em uma chapa com o pedetista. 

Nesta quinta, o ex-governador recuou, dizendo que os apoiadores de Lula vão com ele até o final. "Pelo menos eu não penso em outra coisa a não ser na caminhada para provar a inocência dele", afirmou. Wagner disse que, se Lula for impedido de concorrer, as possibilidades de candidatura serão discutidas depois.

Gleisi deixou o prédio da Polícia Federal com um papel rabiscado e os olhos marejados. A senadora afirmou que Lula quis conversar sobre a situação econômica do país e que pediu que ela anotasse alguns dados para levar ao povo. Ela disse que o petista está estudando, lendo e fazendo análises do que realizou como presidente. 

"Estou desconjurado com a situação da economia brasileira", Lula teria afirmado. Entre os rabiscos, estavam dados sobre o PIB, investimentos, juros, Bolsa Família, lucro dos bancos, consumo, pessoas abaixo da linha da pobreza, desemprego e dívida pública.

"Não diziam que era o PT que estava avacalhando com a dívida pública? Não eram eles que iriam consertar o Brasil? Não disseram que saindo a Dilma tudo iria melhorar?", Lula teria questionado.

De acordo com a senadora, o ex-presidente disse que o que o motiva a ser candidato é reverter a situação de destruição do Brasil. "Não discutimos sobre seu processo, ele diz que fica pensando no Brasil o tempo inteiro", afirmou.

O petista também pediu para que Gleisi manifestasse solidariedade às famílias que moravam no edifício que desabou no centro de São Paulo, na madrugada de terça (1º). Ele também teria solicitado uma avaliação das políticas habitacionais do PT e uma reunião de especialistas para discutir o tema.

BALEADO

Ainda nesta quinta, a senadora gravou um vídeo ao vivo com o sindicalista Jefferson Lima de Menezes, 38, atingido por um tiro de raspão no pescoço no último sábado (28), no acampamento de apoiadores do ex-presidente.

Jefferson prestou depoimento nesta quinta na Divisão de Homicídios da Polícia Civil, que já ouviu ao menos mais seis pessoas. Ele deixou o hospital na terça-feira (1º).

Quase sem voz, Jefferson não falou. Segundo Gleisi, o presidente teria perguntado sobre o sindicalista. "'E o companheiro lá, o Jefferson, como ele está? Dá um abraço nele, diz que eu sou muito grato e para ele não desanimar da luta'", a senadora relatou. 

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