Descrição de chapéu Eleições 2018

Principal assessor de Doria na prefeitura fala em traição e declara voto em França

Advogado foi braço direito de tucano na gestão municipal e dele ganhou 'superpoderes'

Eduardo Scolese Artur Rodrigues Guilherme Seto
São Paulo

Braço direito de João Doria (PSDB) em sua passagem pela Prefeitura de São Paulo, o advogado Anderson Pomini declarou apoio a Márcio França (PSB) na disputa pelo governo do estado. Pomini foi secretário da Justiça de Doria e saiu da prefeitura em abril de 2018 por decisão do novo prefeito, o tucano Bruno Covas.

"Honrar compromissos, respeitar aliados e não trair a confiança das pessoas são princípios básicos para qualquer homem público. Por isso apoio e voto Márcio França para governador de São Paulo", diz Pomini.

"Estava me mantendo neutro, mas recentemente conversei com o Márcio, gostei das propostas e percebi que é uma pessoa que merece nosso apoio", disse o advogado à Folha.

Pomini não quis se alongar ao falar de "traição", repetindo que as características positivas que listou estão todas presentes em França.

O advogado foi o principal homem de confiança de Doria na prefeitura. O tucano deu superpoderes a ele ao transformar a Secretaria de Negócios Jurídicos em Secretaria da Justiça. 

O ex-secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini
O ex-secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini - Bruno Poletti/Folhapress

Ele teve participação em alguns dos momentos mais marcantes da gestão Doria à frente da prefeitura.

A Secretaria de Justiça passou a ter poder sobre a Controladoria Geral do Município (CGM), que na gestão Fernando Haddad (PT) era independente. O órgão é responsável por combater a corrupção na gestão municipal.

Os primeiros grandes embates entre Doria e Haddad surgiram das críticas que o petista fez à medida, dizendo que o tucano promovia "um desmonte" da CGM.

Outro momento em que atuação de Pomini teve destaque foi quando a gestão Doria pediu à Justiça autorização para internar dependentes químicos à força. A autorização foi concedida, mas barrada após poucos dias.

Antes disso, também repercutiu estratégia do escritório do advogado, Pomini Advogados, de notificar aqueles que ofendiam ou ameaçavam o prefeito nas redes sociais. O advogado havia se afastado da empresa depois de assumir o cargo público.

O advogado atuou na campanha de Doria para prefeito. Após deixar a prefeitura junto com Doria, porém, não foi levado pelo tucano para a campanha ao governo estadual. 

Outro ex-secretário de Doria, Cláudio Carvalho, ex-titular da pasta de Prefeituras Regionais, assumiu o serviço.

Ex-secretários de Doria na Prefeitura de São Paulo, os vereadores Gilberto Natalini (PV) e Soninha Francine (PPS) também manifestaram apoio a França na disputa estadual.

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