Deputada eleita tem embate com colega por imóvel funcional

Parlamentar que deixou filho morando no apartamento diz que é alvo de injustiça

A deputada eleita Tabata Amaral (PDT-SP) tomou um susto quando chegou na quarta-feira (30) ao imóvel funcional que a Câmara havia destinado a ela em Brasília.

No imóvel, ela foi recepcionada pelo filho do antigo inquilino do local, o deputado Hildo Rocha (MDB-MA), e o rapaz não quis entregar as chaves, como mostrou o Painel, da Folha, nesta quinta (31).

A deputada federal eleita Tabata Amaral (PDT-SP)
A deputada federal eleita Tabata Amaral (PDT-SP) - Zanone Fraissat - 4.dez.2018/Folhapress

"Procurei a Câmara, expliquei a situação, tentei resolver, mas o deputado falou que eu poderia fazer o barulho que fosse que o filho dele não ia sair", contou Tabata.

O partido decidiu pagar um hotel para ela até esta quinta (31), na esperança de que a situação se resolva. Segundo Tabata, a Câmara procurava um novo imóvel para que ela pudesse se mudar.

Rocha foi reeleito, mas pediu à Casa para ocupar outro apartamento funcional. Procurado, o emedebista prometeu entregar o imóvel até esta sexta-feira (1º). "É algo muito pequeno para uma deputada levar a história para o jornal", reclamou. "É o choque da renovação com a velha política", rebateu Tabata.

"Só não desocupei porque ainda não tirei todas as minhas coisas de lá. Não consegui terminar a mudança, até porque a Câmara não ajudou", argumentou Rocha.

O deputado disse que Tabata vai ter trabalho para se acomodar no local. "O apartamento está muito danificado. Vai precisar arrumar chuveiro, descarga e pintar para ela poder ocupar", afirmou.

Rocha afirma estar sendo injustiçado, por não ter terminado sua mudança e estar no prazo. Ele argumenta que não usou todo o tempo concedido pelo regimento para concluir a transição do apartamento funcional que ocupava —e no qual está seu filho— para o novo imóvel que recebeu da Casa.

"Eu não estou usando irregularmente dois apartamentos, como dizem por aí", disse.

Segundo ele, Tabata não deveria ter recebido o termo de ocupação do imóvel antes de a sua mudança ser concluída. Rocha diz que vai pedir que a Câmara apure o episódio.

"O que me espanta é como ela conseguiu as chaves desse apartamento. Ela está usando o cargo para ter um privilégio. Todo mundo sabe que há uma lista de prioridades para imóveis funcionais e ela não se encaixa nos critérios", provocou o emedebista.

Segundo ele, como não há apartamentos para todos os deputados, parlamentares portadores de necessidades especiais, idosos e, depois, deputados com filhos têm preferência na designação dos imóveis.

Rocha foi até a Quarta Secretaria da Câmara tirar satisfações diante do episódio. Ele disse que o termo de ocupação jamais deveria ter sido emitido.

A área, que é responsável pela distribuição dos imóveis, informou que a deputada recebeu, sim, o termo de posse, mas que ainda não havia sido autorizada a ir até o local.

Em nota, a Quarta Secretaria afirmou que ainda não havia vencido o prazo para o deputado se mudar. "Encontra-se nesta data no processo de mudança de endereço, que envolve encaixotamento de pertences e utensílios e desmontagem de equipamentos para instalação no novo endereço, fazendo uso do prazo legal para a referida operação.”

Tabata, por sua vez, emitiu nota na qual afirma que foi orientada a fazer um requerimento de representação por quebra de decoro.

"Como a própria Câmara designou um funcionário para me acompanhar no ato de entrada? Burocracia? Descortesia ou abuso?", indagou.

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