Maia desvincula movimento de MDB e DEM contra centrão de eleição da Câmara

Em nota, deputado disse que formação de blocos busca mais representação na Comissão Mista de Orçamento

Brasília

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), minimizou nesta terça (28) a saída do MDB e do DEM do grupo de partidos conhecido como blocão, em um movimento que visa enfraquecer o chamado "centrão", aliado do presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, Maia afirmou que o movimento, apoiado por ele nos bastidores, é “natural” e que não tem relação com a eleição para a presidência da Câmara no ano que vem.

“Seu desfazimento é natural, segue um padrão estabelecido pela prática congressual e nada tem a ver com a eleição para a Mesa Diretora em 2021, para a qual tradicionalmente são formados novos blocos”, disse.

Lira, em pé, fala com Maia, que está sentado, com uma das mãos no microfone da mesa
O deputado Arthur Lira, (PI), líder do PP na Câmara, conversa o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durante votação no plenário - Pedro Ladeira - 22.mai.2019/Folhapress

Na nota oficial, Maia afirmou que a formação do "blocão" tinha como propósito alcançar mais representatividade na CMO (Comissão Mista de Orçamento) e que os blocos duram, em geral, até a publicação e instalação do colegiado. Com a pandemia, a comissão não foi instalada e a existência do bloco acabou se prolongando, afirmou o presidente da Câmara.

Na segunda (27), DEM e MDB se deligaram do bloco que é capitaneado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL) e que reúne formalmente nove partidos (PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, PROS e Avante) e mais de 200 parlamentares. O Solidariedade também pode desembarcar do chamado blocão.

O desembarque foi apontado como um movimento para enfraquecer a articulação de Lira, que é um dos principais nomes do centrão e tem se aproximado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos últimos meses.

O deputado alagoano é visto como potencial candidato à sucessão de Maia.

Na prática uma grande parte do blocão, o centrão é resquício do período de Eduardo Cunha (MDB-RJ) na presidência da Casa, durante o governo de Dilma Rousseff (PT).

A eleição para a presidência da Câmara e formação da Mesa Diretora será em fevereiro de 2021. Com o período se aproximando, os partidos começaram a se organizar em um movimento que pode atrapalhar os planos de Bolsonaro em ter uma base governista coesa no segundo semestre, período de votações importantes, como a reforma tributária, e de emplacar o sucessor de Maia.

O PSL, por exemplo, articula junto ao PSC, que também não faz parte do grupo, a formação de um novo bloco com PTB, PROS e Solidariedade na tentativa de ser majoritário na Câmara. Segundo parlamentares, os três primeiros estão praticamente fechados na nova composição. Já o Solidariedade está em negociações avançadas.

Desde que o PP, liderado por Arthur Lira, começou a se aproximar do governo, em meados de abril, líderes do DEM e do MDB já ensaiavam marcar posição e deixar claro que os partidos não são do governo.

As siglas já não tinham uma atuação coesa. A decisão de MDB e DEM de deixar o bloco agora se deu pela avaliação de que era preciso formalizar uma separação que já acontecia na prática.

Na nota da manhã desta terça, Maia negou divergências internas entre os partidos, reafirmando que a separação dos blocos é prática da Câmara.

“A respeito das afirmações de que a saída do MDB e do DEM do Bloco Partidário liderado pelo Deputado Arthur Lira, teriam relação com divergências internas entre as siglas ou, ainda, com as eleições para a Mesa Diretora do próximo biênio, julgo importante esclarecer que a formação e desfazimento dos blocos no início de cada sessão legislativa é prática reiterada na Câmara dos Deputados.”

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