Descrição de chapéu Brasil China

Marcas 'made in China' conquistam confiança do consumidor brasileiro

Rápida adaptação às necessidades do mercado leva produtos chineses a avançar nos setores automobilístico e de tecnologia

Tatiana Vaz
São Paulo

No início dos anos 2000, era impossível não associar a imagem dos produtos “made in China” a cópias falsificadas ou de baixa qualidade. No entanto, o que era tido como bugiganga foi ganhando a confiança dos consumidores no Brasil e no mundo.

Tudo graças à habilidade de rápida adaptação às necessidades e circunstâncias dos lugares onde atuam. “Além de resilientes, os chineses são comprometidos. Enquanto no Brasil pensamos no curto prazo, eles seguem a lógica de investir em grandes projetos e não desistem dos objetivos”, afirma Túlio Cariello, coordenador de análise do Conselho Empresarial Brasil-China.

 
Segundo Cariello, a mesma expansão das marcas chinesas no Brasil acontece no mundo inteiro e ao mesmo tempo.
 
No mercado brasileiro, as marcas chinesas só não lideram os setores em que atuam porque estão no país há pouco tempo, segundo Daniel Lau, da KPMG no Brasil. 
 
“São investimentos recentes, intensos e contínuos, dentro do plano de seguir crescendo no Brasil. A presença da China por aqui está só começando”, afirma Lau.

As empresas de produtos e serviços da China chegaram no país em meados dos anos 2000 atraídas pelo aumento do consumo brasileiro. Desde então, a presença das marcas chinesas ganham espaço nos setores automobilístico, tecnológico e de eletroeletrônico.

Todas as marcas orientais, em tempos diferentes, passaram pelo desafio de ganhar credibilidade com os consumidores, mas as montadoras chinesas foram mais rápidas, segundo Sérgio Habib, presidente da Jac Motors no Brasil.

“Os primeiros carros japoneses chegaram ao Ocidente nos anos 1970 e demoraram 25 anos para ganhar mercado. Os coreanos levaram 15 anos. E os chineses, 10 anos. Isso porque têm seus fornecedores globais no país, o que facilita adaptações para os mercados onde atua”, afirma Habib.

Um fator determinante, segundo o empresário, é que a empresa aprende rápido sobre os consumidores do país.

Desde 2011 no Brasil, a Jac Motors teve de lidar com sobressaltos. A montadora chegou no auge da onda de otimismo. Anunciou o plano de desembolsar R$ 900 milhões na construção de uma fábrica em Camaçari (BA) —intenção que foi adiada por duas vezes.

“O plano agora é bem mais realista com o atual mercado”, diz Habib. A montadora espera aval do governo para investir R$ 200 milhões numa fábrica em Itumbiara (GO), uma unidade de menor capacidade de produção com peças pré-montadas vindas de fora.

Há quatro anos, a Jac vendia o dobro do que vendeu neste ano. “Temos de ser prudentes com o que queremos e planejamos para o Brasil”, diz Habib.

A fabricante chinesa de notebooks e desktops Lenovo não teve tempo hábil de se preparar para atuar de forma diferente em cada mercado. Quando a companhia comprou a área de computadores da IBM, em 2006, iniciou sua operação em 46 países.

Movimentação de contêineres no terminal de Paranaguá, administrado pela China Merchants, no litoral do Paraná - Eduardo Anizelli/Folhapress

Oito anos depois, mais uma compra global: em 2014 pagou US$ 2,9 bilhões ao Google pela Motorola Mobility.

“O fato de a companhia ser globalizada e de cada operação ter autonomia para escolher o que vai vender ajuda muito”, afirma Ricardo Bloj, presidente da Lenovo no Brasil. No mercado brasileiro, por exemplo, a empresa ainda vende muito desktop, o que não acontece na Europa.

Para estancar o prejuízo com a queda das vendas de computadores em 60%, de 2012 a 2017, a empresa cortou pessoal e reduziu a fábrica. “O equilíbrio financeiro foi atingido em setembro de 2017. A empresa é resiliente”, diz Bloj.

Sexta marca mais valiosa da China, de acordo com estudo da consultoria Kantar, a Huawei prepara para lançar seus smartphones neste semestre no mercado brasileiro.

A marca ocupou o 2º lugar entre os celulares mais vendidos no mundo de abril a junho —atrás da sul-coreana Samsung e na frente da americana Apple—, segundo os institutos de pesquisa IDC e Gartner.

A Huawei já atua no Brasil com equipamentos para redes e telecomunicações corporativas. “Nossa infraestrutura de telecomunicações melhorou nos últimos anos, mas ainda há espaço para o desenvolvimento tecnológico”, diz Jorge Wada, vice-presidente da área de infraestrutura para operadoras da Huawei no Brasil.

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