Surpreendida por câncer avançado, paciente é beneficiada por exame genômico

Tratamento direcionado levou à regressão de metástases em cinco meses

Henrique Artuni
São Paulo

Em abril, ao sentir uma tosse constante por vários dias, Vanessa Bernardes Caobianco, 48, foi ao hospital em Campo Grande, onde vive, esperando uma gripe —no máximo, os primeiros sinais da Covid-19.

Nem um, nem outro. Em plena pandemia do novo coronavírus, ela, que leva uma rotina saudável e nunca fumou, foi surpreendida com um câncer de pulmão avançado. A doença foi diagnosticada em estágio quatro, com metástase óssea, na coluna e no quadril, e em vários pontos do cérebro.

Sabendo das possibilidades de tratamento que uma análise genômica abriria, seu oncologista recomendou o exame.

A coordenadora pedagógica Vanessa Bernardes Caobianco, 48, que tem câncer de pulmão metastático; vemos a personagem, uma moça branca, sorridente, com cabelos bem curtinhos, usando uma blusa vermelha; a foto é feita a distância, de modo que ela aparece enquadrada na tela do computador do fotógrafo, que fez o retrato de sua própria casa
A coordenadora pedagógica Vanessa Bernardes Caobianco, 48, que tem câncer de pulmão metastático - Gabriel Cabral/Folhapress

O perfil genômico é um instrumento da medicina de precisão que permite identificar mutações e determinar, a partir do tipo identificado, um tratamento específico para aquele tumor.

No caso de Vanessa, o exame foi feito a partir de tecido do tumor. O procedimento da Foundation One foi bancado pelo Laboratório Roche, por meio de uma parceria entre as empresas.

Existem também análises que identificam fragmentos de DNA do tumor em amostras de sangue, as chamadas "biópsias líquidas".

Enquanto aguardava os resultados do perfil genômico, Vanessa optou por realizar um mês de quimioterapia, que provocou queda do cabelo, fadiga e imunidade baixa. “Não tive medo da morte, nunca tive”, conta ela, que é espírita. “Eu tenho medo do tratamento, que pode ser muito sofrido."

Em junho, os resultados identificaram a mutação ALK, para a qual já havia um medicamento disponível, o alectinibe, aprovado pela Anvisa em maio de 2019. O remédio, que custa cerca de R$ 30 mil por mês, foi coberto pelo plano de saúde.

“Cinco meses tomando o medicamento e não tive nenhum efeito colateral grave”, afirma. Ela convive com lesões na coluna, mas não há mais sinal das metástases ósseas, e os tumores cerebrais já diminuíram significativamente. Ainda em novembro será analisada a necessidade de radioterapia.

Seu médico afirma que o tratamento pode ser funcional por mais dez anos ainda e que já há outras opções mais efetivas no mercado.

Com uma filha de 12 anos, Vanessa tem ciência das incertezas trazidas pela doença crônica, mas é muito otimista quanto aos avanços das terapias-alvo.

Coordenadora pedagógica, ela se afastou do trabalho, mas pretende retornar —e, assim que for vacinada contra a Covid-19, viajar mais com a família. “Este ano eu tirei para cuidar de mim."

Esta reportagem foi produzida no âmbito do Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde, que conta com o patrocínio do Laboratório Roche e da Rede D’Or São Luiz​.

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