Jalapão entrega éden com dunas e lagoas depois de muita poeira

É preciso enfrentar longos percursos em estrada de terra para aproveitar todas as belezas naturais do parque

Estrada de terra cercada de vegetação rasteira

Estrada de terra entre Ponte Alta e Mateiros, no Jalapão (TO) Fernanda Ezabella/Folhapress Fernanda Ezabella/Folhapress

Fernanda Ezabella
Palmas

As estradas de terra sacolejantes do Parque Estadual do Jalapão causam efeitos diversos nos turistas que decidem se embrenhar pelos cafundós do Tocantins.

Há os que se esquecem da vida e meditam ao balanço dos longos percursos, curtindo a paz da paisagem de cerrado sem fim. E há os que sofrem, encarando a aventura como provação antes de alcançar as dunas paradisíacas e os misteriosos fervedouros, pequenas lagoas de águas cristalinas.

O Jalapão fica a 300 km de Palmas, mas a quilometragem é relativa nesses cantos. Até Ponte Alta do Tocantins, cidade de entrada para o parque, são 150 km de asfalto. O resto é feito por terra, areia, buracos e muita poeira.

“Dizem que o pote de ouro está no fim do arco-íris, mas certeza eu só tenho de que a joia do Jalapão se esconde no fim do mundo”, filosofa o produtor de arte e cenógrafo paulista Mauro Amorim, 47, que visitou o parque em dezembro.

A época de outubro a março é conhecida por receber mais chuva, mas em seis dias o visitante só pegou um chuvisco de fim de tarde que pouco refrescou o calor de 30 graus. Na estiagem (abril a setembro), as temperaturas são mais altas. 

A joia, no caso, são os fervedouros, cercados por bananeiras. O do Ceiça foi o primeiro a ser popularizado e muitos o consideram ponto zero do turismo local. Só podem entrar seis pessoas por vez e por 15 minutos. É proibido usar protetor solar ou repelente.

A maioria dessas lagoas fica em propriedade particular e paga-se para entrar. No fervedouro Bela Vista, que apareceu em “O Outro Lado do Paraíso”, da Globo, você paga R$ 15 por 20 minutos.

Há dezenas de fervedouros na região. O nome em nada tem a ver com água quente. A água brota fresquinha do solo arenoso e facilita a flutuação, sensação difícil de descrever. É quase uma areia movediça, com uma leve esfoliação nas pernas, por conta da areia que não para de subir.

O turismo no Jalapão (o nome vem da planta jalapa) cresceu na última década e ganhou mais força em 2018 com a novela. Encarar suas estradas sem guia, ainda que num veículo 4x4, é desaconselhável, já que não há sinalizações claras nem sinal de celular.

Operadoras locais fazem passeios a partir de Ponte Alta do Tocantins ou Mateiros. Outras acampam pelo caminho fazendo um circuito pelo parque. A reportagem viajou com a Korubo Expedições, na região desde 2001 e com um acampamento único dentro do parque e algumas boas mordomias.

De Ponte Alta do Tocantins até o acampamento são 120 km de estrada de terra. Gasta-se um dia todo para percorrer o trajeto. O espaço fica numa antiga comunidade quilombola, com praia de rio própria e 15 tendas, cada uma com duas camas, pia e sanitário.

Os chuveiros, em um local separado, têm água aquecida por energia solar (e algumas pererecas inofensivas).

As refeições são caprichadas, com sobremesas e sucos de frutas frescas. O acampamento fica a 63 km de estrada de terra do fervedouro do Ceiça. A empresa tem um fervedouro próprio no qual os visitantes podem entrar todos juntos por uma hora.

No pacote de uma semana da Korubo, que custa a partir de R$ 2.680 e inclui passeios no parque, dois dias são gastos para chegar ao acampamento e voltar a Palmas, com paradas em três atrações no total.

Outros dois dias são passados em Palmas, na ida e vinda ao aeroporto, sobrando três dias inteiros no Jalapão.

Na companhia Jalapão Selvagem, o pacote de sete dias parte de R$ 2.749 e inclui hospedagem, em pousadas de Ponte Alta do Tocantins e Mateiros, e atividades no parque.

Uma opção de estadia em Mateiros é a pousada Santa Helena, a 10 km do fervedouro Rio Sono. Tem área para piquenique, piscina e wi-fi. A diária custa a partir de R$ 235.

A primeira parada surge apenas como um aperitivo, na Gruta de Sussuapara, com paredões úmidos de 12 metros que formam uma fenda estreita com um riacho ao meio. Ostentação pura vem com as dunas que visitamos no dia seguinte, após passar a manhã num passeio de caiaque no rio do acampamento.

A chegada às dunas acontece um pouco antes do pôr do sol. Crianças brincam rolando dunas abaixo, e os mais aventureiros caminham até as piscinas rasas que se formam entre os montes de areia.

Outro destaque é a Cachoeira do Formiga, com suas águas transparentes. Já a caminhada até o topo da Serra do Espírito Santo exige fôlego. A recompensa são as vistas do cerrado e das pedreiras que dão areia às dunas.

O transporte é feito por caminhões adaptados para aguentar o tranco das estradas traiçoeiras, com mirantes externos para quem enfrentar o sol na cabeça e os sacolejos.

Entre um atrativo e outro (ou quando o caminhão quebra e fazemos uma parada num único restaurante da estrada, uma quase miragem), é possível ver a produção de artesanatos de capim dourado.

O capim cresce de abril a junho e é colhido em agosto e setembro —mês em que acontece a festa da colheita em Mumbuca, comunidade remanescente de quilombo.

Sem infraestrutura ou estradas asfaltadas, e com longas distâncias entre as principais atrações, o Jalapão pode não ser para qualquer um, mas há quem volte repetidas vezes. 

“É um lugar que me traz uma sensação de pequenez”, diz o professor de física e coordenador de viagens pedagógicas Welton Marllos Neves, um carioca de 49 anos em sua quinta visita. Desta vez, levou um grupo de 12 estudantes.

“Quando me deparo no meio da estrada de terra que guarda essas maravilhas me sinto incapaz de enfrentar a natureza bruta, linda, hostil e exuberante do Jalapão.”

Pacotes de viagem

R$ 2.340 
5 noites, na Pisa Trekking 
Entre Palmas, Ponte Alta e Mateiros, com café da manhã na capital e pensão completa nas demais cidades. Inclui passeios pelo parque. Preço por pessoa. Sem aéreo

R$ 2.358 
5 noites, na Maringá Turismo  
Entre Palmas e o Jalapão. Com café da manhã na primeira e pensão completa no parque. Inclui passeios e seguro-viagem. Preço por pessoa. Sem passagens aéreas

R$ 2.380 
4 noites, na Litoral Verde  
Com pensão completa. Inclui passeios no parque. Preço por pessoa. Sem aéreo

R$ 2.400 
5 noites, na Gold Trip  
Entre Palmas, Mateiros e Ponte Alta, com café da manhã na primeira e pensão completa nas demais. Inclui passeios no Jalapão, seguro-viagem e traslados. Preço por pessoa. Sem aéreo 

R$ 2.580 
5 noites, na Venice Turismo   
Entre Palmas e o Jalapão, com café da manhã na primeira e pensão completa no parque. Inclui traslados, seguro-viagem, equipamento para canoagem e passeios. Preço por pessoa. Sem aéreo

R$ 2.592 
5 noites, na New Age  
Entre Palmas e o Jalapão, com café da manhã na primeira e pensão completa no parque. Inclui passeios, almoço na cidade de Ponte Alta, traslados e seguro-viagem. Preço por pessoa. Sem aéreo

R$ 2.980 
6 noites, na Aurora Eco  
Entre Palmas e o Jalapão, com café da manhã na primeira e pensão completa no parque. Inclui passeios, traslados, almoço em Ponte Alta e equipamento de canoagem. Preço por pessoa. Sem aéreo

R$ 3.264 
5 noites, na TZ Viagens   
Entre Palmas e o Jalapão, com café da manhã em Palmas e pensão completa nas demais. Inclui passeios na capital tocantinense e no parque. Preço por pessoa. Sem passagens aéreas

R$ 3.870
6 noites, na Venturas Viagens  
Entre Palmas, Taquaruçu, Jalapão, São Félix do Tocantins, Mateiros e Ponte Alta, com café da manhã nas duas primeiras e pensão completa nas demais. Inclui passeios com guia, traslados e seguro-viagem. Preço por pessoa. Sem passagens aéreas

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