LUIZ COSENZO
DE SÃO PAULO

A FPF (Federação Paulista de Futebol) promete punir com exclusão por até cinco anos da Copa São Paulo de futebol júnior o clube que disputar o torneio deste ano, que começou na terça (2) e se estende até o dia 25, com jogadores com idade adulterada.

A previsão da punição aos clubes foi incluída, pela primeira vez, no regulamento do torneio para 2018.

"Caso seja comprovado, tanto durante quanto após a competição, que algum atleta inscrito tenha participado com documentação adulterada ou informação falsa, o clube do atleta infrator será eliminado da competição em curso e poderá ser excluído de suas cinco próximas edições", diz o artigo 25.

A mudança no regulamento visa atribuir maior responsabilidade aos clubes, que agora podem ser penalizados por não checar a documentação apresentada por seus atletas.

A medida tem como finalidade evitar o que aconteceu na última edição da Copa São Paulo, quando o zagueiro Heltton Matheus Cardoso Rodrigues, 23, do Paulista, utilizou a documentação de Brendon Matheus Araújo Lima dos Santos, 19, que estava preso no Rio, para se inscrever no torneio.

A farsa só foi descoberta após a classificação do time de Jundiaí para a final. Após receber uma denúncia do Batatais, que havia sido goleado na semifinal pelo adversário por 5 a 1, o TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva) eliminou a equipe do torneio.

O Batatais avançou à final e enfrentou o Corinthians, que faturou o título.

O Paulista disputará o torneio deste ano. A cidade de Jundiaí é uma das sedes. Já Heltton Matheus Cardoso Rodrigues foi suspenso por um ano (veja ao lado).

No ano passado, a FPF instruiu os times sobre o que poderia ser feito para identificar documentos adulterados. A entidade planejava distribuir uma cartilha com orientações, o que não aconteceu.

A federação também fará a conferência dos documentos, assim como em edições passadas. Os clubes têm que apresentar documentos de identidade oficial com foto de todos os jogadores.

Neste ano, poderão disputar a Copa São Paulo atletas nascidos nos anos de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002.

MÉTODOS

Os principais clubes do país já adotam diferentes métodos de checagem evitar o surgimento de novos casos de "gatos" -como são chamados os jogadores com idade adulterada no futebol.

O São Paulo, por exemplo, pede que os jovens que chegam ao clube apresentem vários documentos, do RG ao histórico escolar, e checa as informações em cartórios.

Quando ainda restam dúvidas, o clube realiza um exame de raio-x para identificar a idade óssea do jogador.

"É uma radiografia específica, que dá para fazer em várias partes do corpo, mas a de punho e mão é a mais utilizada para saber a idade óssea. Existe também um exame clínico, que não identifica o gato, mas você pode ver pela idade o nível de maturação que a pessoa está", explicou o médico do time do Morumbi, Carlos Tadeu Moreno.

O Palmeiras também utiliza o teste de maturação física. "A fisiologia dos atletas é monitorada muito atentamente no dia a dia. Com aparelhagem e metodologia muito modernas, é difícil um caso passar despercebido atualmente", disse o clube.

Já o Corinthians utiliza o trabalho de seu departamento de análise de desempenho.

"Consultamos se o atleta estava vinculado em outro clube e o seu histórico esportivo. Com tantas competições sub-15 e sub-17, é muito difícil que hoje um jogador não tenha participado de competições anteriormente", afirmou Fernando Yamada, 38, ex-goleiro do clube e atualmente gerente geral do Departamento de Formação de Atletas da equipe.

"Quando era jogador via essa situação de jovens com idade adulterada com mais frequência. Hoje, é muito difícil. Os clubes estão muito precavidos", completou.

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