Azeredo critica representação do PSOL e diz que "nunca faltou com a verdade"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirmou nesta terça-feira que a decisão da Mesa Diretora do Senado de arquivar representação contra ele seguiu, corretamente, o entendimento de que fatos anteriores ao mandato não configuram quebra de decoro parlamentar. Azeredo lembrou que o Conselho de Ética da Casa já havia arquivado processo em 2006 pelo mesmo motivo --o que abriu caminho para a decisão desta terça-feira.
"Na época, houve o entendimento de que as questões são anteriores ao meu mandato de senador. Além disso, compreendeu-se que não tive responsabilidade nos eventuais problemas daquela campanha", disse o senador.
Azeredo criticou a decisão do PSOL de ingressar com representação para que o Conselho de Ética da Casa investigasse o valerioduto mineiro --esquema de desvio de recursos em caixa dois na campanha eleitoral de Minas, em 1998.
"Creio que o PSOL agiu equivocadamente ao insistir em representação com o mesmo escopo. O partido contrariou a legislação processual brasileira ao se arriscar em uma representação para pleitear o que já foi julgado, o que já foi decidido."
O tucano reiterou que "nunca faltou com a verdade" ao negar qualquer ligação com o esquema de caixa dois na campanha eleitoral de 1998. "Como é do conhecimento de todos em Minas Gerais, as questões financeiras da campanha de 1998 não foram de minha responsabilidade. Delas só tomei conhecimento posteriormente", disse.
Mesa
A Mesa Diretora do Senado decidiu por unanimidade arquivar nesta terça-feira a representação do PSOL contra Azeredo. O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), argumentou que não cabia uma nova investigação já que o conselho já arquivou no ano passado processo contra o tucano com o mesmo teor.
"Nós achamos que sem um fato novo, se tivessem pelo menos aguardado que o procurador-geral da República vai se manifestar e tivesse apresentado fatos novos, poderíamos considerar ou não", disse.
Viana afirmou, no entanto, que, se o procurador encontrar indícios do envolvimento de Azeredo no chamado "mensalão tucano" --e parlamentares apresentarem uma nova representação contra o senador--, o Conselho de Ética poderá investigar o caso.
"Qualquer cidadão pode apresentar novamente a denúncia. Ao invés de passar pela Mesa, irá diretamente ao conselho", disse o senador ao referir-se à decisão da Mesa tomada na manhã de hoje de que os processos seguirão agora diretamente para análise do conselho.
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