Brasil
22/11/2007 - 19h17

PGR diz que esquema da campanha tucana foi "laboratório" do mensalão

RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, ofereceu ao STF (Supremo Tribunal Federal) denúncia contra 15 suspeitos de participar do suposto esquema de desvio de recursos para favorecer a campanha eleitoral ao governo de Minas de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998. Entre os denunciados estão Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) --que pediu demissão hoje-- e Azeredo, atualmente senador.

Na denúncia, Souza diz que o "esquema delituoso verificado no ano de 1998 foi a origem e o laboratório dos fatos descritos na denúncia já oferecida no inquérito n.º 2245 [mensalão]".

Na denúncia oferecida ao STF, Souza diz que foram desviados "R$ 3,5 milhões dos cofres públicos do Estado de Minas para a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, tendo como candidato à vice Clésio Andrade".

Esses recursos, de acordo com a denúncia, teriam sido desviados, principalmente, da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais), Bemge (Banco do Estado de Minas), além de eventos patrocinados pelo governo mineiro --como o Iron Biker e Campeonato Mundial de Supercross.

"Ressalte-se que o esquema não teria sucesso sem a participação de integrantes da cúpula do Estado de Minas Gerais e da campanha da reeleição. Na verdade, como visto, à exceção de Clésio Andrade [candidato a vice-governador], as duas cúpulas eram formadas, sem prejuízo da participação de outras pessoas, pelos mesmos personagens: Eduardo Azeredo [candidato à reeleição em 1998], Walfrido dos Mares Guia [participava da campanha] e Cláudio Mourão [tesoureiro]", diz a denúncia oferecida pela PGR.

Em relação a Azeredo, o procurador-geral diz que é "fato comprovado que ele foi um dos principais mentores de toda a gama de ilicitudes praticada". "Nesse contexto, tinha ciência que estava recebendo, em sua conta de campanha [aberta em seu nome], R$ 200 mil do esquema."

Na denúncia, Souza diz que "Walfrido dos Mares Guia sabia da captação ilícita de recursos e concorreu para a engrenagem ilícita de financiamento, razão pela qual não hesitou em participar da operação destinada a atender exigência de Cláudio Mourão, que cobrava de Eduardo Azeredo o pagamento da dívida".

Laboratório

Apesar de afirmar na denúncia que o esquema montado para favorecer a campanha de Azeredo foi um laboratório para o suposto caixa dois montado mais tarde em benefício dos petistas, ele disse que os "fatos não são exatamente iguais". "O procedimento que se adotou para fazer o desvio de dinheiro é o mesmo, mas os objetivos são diferentes", disse o procurador-geral após entregar a denúncia ao STF.

"Não vou fazer comparação entre situações, elas não são absolutamente iguais", disse o procurador-geral.

Entre as diferenças estaria o desvio de recursos de empresas públicas para favorecer a campanha eleitoral de Azeredo. 'Os desvios de dinheiro estão claros, mas em Minas o desvio só foi feito com recursos públicos.'

Ao ser questionado se não ficou constrangido com o fato de Walfrido estar demissionário por causa da denúncia, Souza disse que isso não era problema dele.

"O problema não é meu. Eu faço denúncia em cima de fatos que ocorreram no passado e as conseqüências são de interesse de cada um", disse ele.

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Comentários dos leitores
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h52
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h52
Independente do saldo bancário, o criminoso, o infrator, o meliante deve pagar, junto com os coniventes, pelo ato ilegal. Caso contrário, não faz sentido às pessoas respeitarem as leis vigentes no país. sem opinião
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Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h46
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h46
Independente do saldo bancário, o criminoso, o infrator, o meliante deve pagar, junto com os coniventes, pelo ato ilegal. Caso contrário, não faz sentido às pessoas respeitarem as leis vigentes no país. sem opinião
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Ele sabe que será solto em poucos dias sem opinião
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