Brasil
23/11/2007 - 13h00

Oposição usa troca de ministro para articular derrota da CPMF no Senado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Líderes da oposição afirmaram nesta sexta-feira que o afastamento do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) do governo vai prejudicar as articulações do Planalto para prorrogar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). DEM e PSDB avaliam que a troca do ministro no decorrer das negociações ajudará a oposição a derrubar o "imposto do cheque" no plenário do Senado.

"É mais um complicador para o governo. No momento em que o governo tem pressa, uma substituição sempre traz complicações", disse o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), avalia que o ministro José Múcio (PTB-PE) --que substituiu Walfrido no cargo-- terá que administrar três crises em partidos da base aliada que ameaçam votar divididos na prorrogação da CPMF: PDT, PRB e PTB. "Um ministro novo com três crises novas terá o dobro de dificuldades. O Walfrido já administrava essas crises. No mínimo, a mudança prejudica o governo", afirmou.

Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que Múcio tem "menor ligação" com os senadores --o que poderá reduzir o diálogo com a base aliada nas negociações pró-CPMF. Mas admitiu que Mares Guia também mantinha relações "distantes" com os senadores no período em que ficou no cargo.

"No Senado, é muito difícil o governo aprovar a CPMF. O Múcio é um negociador hábil, mas com menos conexão com o Senado assim como o Mares Guia", ressaltou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por outro lado, minimizou a troca no Palácio do Planalto. Na opinião do tucano, o país já se "acostumou" com o troca-troca no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Os governos não param por causa disso. O problema do Brasil é ter mais credibilidade para acreditar no país, que precisa de decência", avaliou.

Apesar de não considerar a troca de ministro um episódio grave para o governo federal, FHC disparou críticas à gestão petista. "O governo Lula usa os mesmos mecanismos que nós usamos. O governo Lula pensa que é Pedro Álvares Cabral, que descobriu o Brasil. E a cada hora leva um tombo."

Azeredo

O ex-presidente saiu em defesa do senador Eduardo Azeredo (MG), a quem considerou "um homem de bem".

FHC disse que não pode condená-lo ou absolvê-lo sem que as denúncias contra o tucano sejam apuradas pela Justiça. Azeredo e Walfrido foram denunciados pelo procurador-geral da República pelo envolvimento no chamado "mensalão tucano" em Minas Gerais.

Para o governador Aécio Neves (PSDB-MG), Azeredo saberá enfrentar "com serenidade" a denúncia do procurador. "Ele vai se defender. O preço que teria que pagar já pagou. Não tem nenhuma novidade nisso."

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Comentários dos leitores
Pedro Carvalho (2) 28/09/2009 13h40
Pedro Carvalho (2) 28/09/2009 13h40
É errado fazer essa divisão de quem merece mais ou quem merece menos, pois, a princípio, todos os partidos são iguais. No entanto, nós sabemos disso, que, se o DEM ou o PSDB estivesse no poder, ele também iriam fazer a mesma coisa. Isso sempre existirá nessa política pobre que é a brasileira. sem opinião
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Hilton Leonel (6) 08/09/2009 18h15
Hilton Leonel (6) 08/09/2009 18h15
VIVA O PMDB: ESTÁ SEMPRE PRONTO PARA PREJUDICAR O POVO. QUE SAUDADE DE ULISSES
GUIMARÃES. O povo Brasileiro não aguenta mais.
sem opinião
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osny chicoli (7) 01/09/2009 12h05
osny chicoli (7) 01/09/2009 12h05
Tentem diminuir os cargos públicos nomeados que sobrara dinheiro mesmo sem aumentar os impostos sem opinião
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