Tarso diz que não existem mais "intocáveis" no país e defende uso de algemas
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou nesta terça-feira que a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do investidor Naji Nahas pela Polícia Federal mostra a disposição do governo de punir todos os envolvidos em irregularidades, mesmo que sejam de classes sociais privilegiadas. Tarso disse que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é combater a corrupção "independente de suas raízes", mostrando que não há mais "intocáveis" no país.
"As prisões são um sinal para a sociedade que está acostumada a ver somente pobres indo para a cadeia, sendo retirados de camburões de forma indecente, de que isso está mudando. É determinação do presidente da República. O Estado combate a corrupção independente de suas raízes", afirmou.
Apesar das reações contrárias às prisões de indivíduos de classes mais privilegiadas, o ministro disse que "não existem mais intocáveis no país, privilegiados, que não são tocados pela lei". "Isso dá reações, mas temos que encarar com naturalidade."
O ministro disse que a disposição da PF é investigar todos os envolvidos em atos de corrupção identificados na Operação Satiagraha, mesmo que isso inclua integrantes do PT, como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP).
"Se respingar em algumas pessoas, seja de que partido for, isso é secundário. A Polícia Federal não investiga maus costumes, atividades profissionais de ninguém ou partidos políticos. A PF investiga delitos e está de parabéns por essa operação", disse Tarso.
O ministro admitiu que foi procurado por Greenhalgh, por telefone, para criticar o envolvimento de seu nome na operação. Tarso disse que pediu ao ex-deputado para encaminhar requerimento à PF caso não tenha se sentido confortável com a abordagem dos agentes, a exemplo do que ocorre com qualquer cidadão. "As pessoas que se sentem injustiçadas no inquérito, abrimos sindicância, se for o caso, para investigar qualquer lesão."
Algemas
Tarso se mostrou favorável ao uso de algemas para a prisão de envolvidos em atos de corrupção, desde que o agente policial avalie essa necessidade. Segundo o ministro, o governo não distingue o uso de algemas entre pobres e ricos --embora autoridades tenham criticado a "truculência" da PF durante as prisões de Dantas, Pitta e Nahas.
"O uso de algemas tem que ser avaliado pelo agente. O objetivo é fazer a prisão com segurança. A Polícia Federal não deve ter critério de classe social. Se um cidadão de baixa renda pode ser algemado e nunca ninguém reclamou, se tiver que fazer prisão com algemas, que se faça."
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