Brasil
11/07/2008 - 16h54

Varredura no STF não encontra escutas no gabinete de Gilmar Mendes

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O STF (Supremo Tribunal Federal) realizou nesta sexta-feira varredura no gabinete e nas salas anexas do presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, mas não encontrou indícios de escutas telefônicas ou ambientais no local. A varredura, determinada pela administração do STF, foi realizada por técnicos do tribunal durante a madrugada de hoje depois das denúncias de que o gabinete de Mendes estaria sendo monitorado pela Polícia Federal.

Mendes encaminhou hoje à Corregedoria Nacional de Justiça, ao Tribunal Regional Federal de São Paulo e ao Conselho da Justiça Federal a denúncia de que seu gabinete no tribunal teria sido monitorado pela Polícia Federal a pedido do juiz Fausto Martin de Sanctis, responsável por expedir o pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas.

O ministro espera que os órgãos tomem as "providências cabíveis" para apurar se há indícios concretos de que seu gabinete tenha sido monitorado pela PF.

Segundo informou o Painel, da Folha, o presidente do Supremo foi informado nesta quinta-feira por uma desembargadora do TRF-SP de que seu gabinete foi monitorado pela PF a pedido de Sanctis. Mendes também foi informado ontem de que assessores do seu gabinete teriam conversado com advogados de Dantas na sede do STF em Brasília, embora o ministro considere algo de rotina advogados de presos procurem a presidência do tribunal.

Após ser informado das conversas entre advogados de Dantas e seus assessores, Mendes acendeu o sinal de alerta sobre o suposto monitoramento da PF. Depois de ser informado pela desembargadora de São Paulo, o ministro decidiu tomar providências.

Pouco mais de 24 horas depois da PF prender Dantas, Mendes concedeu habeas corpus para liberar o banqueiro. Dantas ficou algumas horas em liberdade nesta quinta-feira, mas teve um novo pedido de prisão expedido pelo juiz. A prisão preventiva de Dantas foi expedida pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido da PF e do Ministério Público Federal com base em documentos encontrados na casa dele na terça-feira.

Advogados acreditam que o episódio de prisão, soltura e nova prisão do banqueiro Daniel Dantas, ocorrido entre terça e ontem, explicita uma guerra entre Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal. Eles divergiram sobre a "coragem" ou a "interferência indevida" do presidente do STF em soltar Dantas.

Comentários dos leitores
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h52
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h52
Independente do saldo bancário, o criminoso, o infrator, o meliante deve pagar, junto com os coniventes, pelo ato ilegal. Caso contrário, não faz sentido às pessoas respeitarem as leis vigentes no país. sem opinião
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Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h46
Jacinto Moreira (9) 02/09/2008 10h46
Independente do saldo bancário, o criminoso, o infrator, o meliante deve pagar, junto com os coniventes, pelo ato ilegal. Caso contrário, não faz sentido às pessoas respeitarem as leis vigentes no país. sem opinião
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Ele sabe que será solto em poucos dias sem opinião
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