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Brasil
05/08/2008 - 17h26

CPI rejeita pedido de Protógenes para adiar depoimento; delegado deve apresentar atestado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A CPI das Escutas Clandestinas da Câmara rejeitou nesta terça-feira pedido do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz para adiar o seu depoimento à comissão, marcado para amanhã. Em ofício encaminhado à CPI, o delegado argumenta que não poderá se ausentar do curso superior de formação da PF realizado em Brasília --mas a justificativa não sensibilizou a comissão.

O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que o curso não está entre as justificativas aceitas pelo Código Penal brasileiro para adiar o seu depoimento, uma vez que ele foi convocado a comparecer à comissão.

"Entendo que será oportuno o seu comparecimento amanhã. Dessa forma, a minha decisão é de manter a data para prestar esclarecimentos a esta CPI. O delegado deve vir aqui responder aos questionamentos. Eu decido pela manutenção. Não entendo como escusável o motivo apresentado", disse Itagiba.

A CPI deve realizar sessão secreta para ouvir Protógenes nesta quarta-feira, uma vez que o delegado não se mostrou disposto a revelar publicamente detalhes da Operação Satiagraha porque o inquérito do caso tramita em segredo de Justiça.

O deputado Alexandres Silveira (PPS-MG) --que protocolou o pedido de Protógenes na CPI para adiar o depoimento-- disse que o delegado não responderá à maioria dos questionamentos dos integrantes da CPI.

"Entre os motivos do depoimento do delegado Protógenes está saber se durante as investigações da Operação Satiagraha foi cometido algum ilícito usando escuta telefônica clandestina. Essa investigação corre em segredo de Justiça, portanto o delegado não poderá responder a esse questionamento amanhã sob pena de colocar uma investigação de muito tempo a perder. Essa pergunta, como diversas outras, quase a maioria, não poderá ser respondida pelo delegado Protógenes", afirmou Silveira.

O deputado se tornou uma espécie de "emissário" de Protógenes na CPI por também ser delegado da Polícia Federal em Minas Gerais. Silveira disse que Protógenes está "à disposição" para colaborar com a CPI assim que o curso for concluído, quando seria marcado um novo depoimento. "Em nenhum momento ele diz que não quer colaborar. O delegado foi afastado das investigações por causa do curso", disse Silveira.

O curso superior de Protógenes na Academia de Polícia Federal está previsto para terminar no dia 22 de agosto. O delegado quer convencer os integrantes da CPI a adiar o depoimento para o final de agosto com o objetivo de sair dos "holofotes" da Operação Satiagraha. Protógenes prefere prestar depoimento depois que a poeira sobre o caso "baixar".

Atestado

A Folha Online apurou que, com a rejeição do pedido, o delegado não descarta apresentar atestado médico nesta quarta-feira para tentar adiar novamente o depoimento. Protógenes cogita alegar "forte estresse" como motivo que o impediria de comparecer à CPI para esclarecer detalhes da Operação Satiagraha.

No ofício encaminhado pelo seu advogado à comissão, o delegado sustenta que a presença no curso da PF é obrigatória.

"Os eventos ocorrem diariamente, de segunda a sexta-feira em todos os períodos pelo prazo de trinta dias, não admitindo ausências de qualquer natureza, sob pena de ser indeferida a sua conclusão", diz o advogado Renato Andrade.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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