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Brasil
11/08/2008 - 16h45

Lula tratará punição a torturadores como questão técnica e não política

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

No esforço de encerrar a polêmica em torno da responsabilização dos crimes de tortura do período da ditadura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja adotar uma única estratégia. A Folha Online apurou que a idéia de Lula é levar a discussão para o debate técnico-jurídico afastando-o das questões políticas. Assim, na prática, o tema ficará restrito a especialistas e não mais a políticos e militares.

Para executar a tática, o desafio de Lula estará concentrado em duas cerimônias, que foram marcadas com antecedência, para amanhã --uma em Brasília e outra no Rio de Janeiro. Na primeira solenidade, no Palácio do Planalto, o presidente participa da solenidade de apresentação dos oficiais-generais das três Forças Armadas --Exército, Marinha e Aeronáutica.

Na cerimônia militar, Lula não deverá discursar, deixando que o ministro Nelson Jobim (Defesa) fale em nome do governo. Porém, deverá demonstrar estar à vontade e não pretende mencionar a controvérsia que colocou em lados opostos os militares e os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannucchi (Direitos Humanos) --os dois defendem a punição dos torturadores do período militar, enquanto integrantes das Forças Armadas reagiram à idéia.

Depois, à tarde, na segunda cerimônia, o presidente participa do ato que inaugura a reconstrução da antiga sede da UNE (União Nacional dos Estudantes), na Praia do Flamengo, no Rio. Para demonstrar que a controvérsia em torno do assunto está superada, Lula evitou desmarcar o compromisso e deve indicar que a discussão é jurídica e técnica, não mais política.

Interlocutores do governo informaram que com esse discurso, Lula pretende por um ponto final na controvérsia. Também planeja conversar com Tarso para pedir que deixe o assunto para a AGU (Advocacia Geral da União), uma vez que há uma ação sob análise do órgão a pedido do MPF (Ministério Público Federal).

Na ação, os procuradores da República pedem que os militares reformados Carlos Alberto Ustra e Audir Santos Maciel, comandantes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) nos anos 70, sejam responsabilizados pessoalmente por desaparecimento, morte e tortura de 64 pessoas.

Por orientação de Lula, a AGU, que prepara o parecer para outubro, deverá aceitar a ação, assumindo que de fato houve crimes de tortura no Brasil no período militar. A iniciativa é inédita. Porém, paralelamente o presidente orientará Tarso e Vannucchi a não tratarem mais publicamente sobre o tema.

Comentários dos leitores
luiz breyner (14) 05/12/2009 20h28
luiz breyner (14) 05/12/2009 20h28
A verdade sobre a ditadura militar sempre fica escondida por vários interesses escusos. Em primeiro lugar não houve no Brasil nenhuma preocupação em redemocratizar o país, quem queria derrubar os militares queria uma ditadura de esquerda, que na época chamavam-na de ditadura do proletariado. Por outro lado, a ditadura começou a não obedecer os americanos. A coisa piorou quando Geisel se negou mandar tropas para São domingos. Na verdade os americanos sempre foram liberais, mas nunca foram democratas. Quem manda lá são os órgãos de inteligência. Presidente lá é mesma coisa da coroa inglesa. 1 opinião
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João Tavares (4) 05/12/2009 18h15
João Tavares (4) 05/12/2009 18h15
Paulo Maluf e a odiosa perseguição, passados 39 anos Maluf recebe ACP (Ação Civil Pública), mais uma acusação ridícula, mentirosa e caluniosa. Como tem sido contumaz contra Maluf, "A força das falsas acusações não derivam do seu conteúdo, mas sim na aposta da sua repercussão". Perguntamos a falsa acusação atual é para desviar o foco de qual escândalo ou de contexto internacional ou em relação ao projeto de lei 265/2007 do deputado federal Paulo Maluf (...) "se ficar comprovado de modo a deixar expressa a responsabilidade de quem ajuiza (ACP) ação civil pública, popular e de improbidade temerária, com má-fé, manifesta intenção de promoção pessoal ou visando perseguição política". Felizmente, manchetes como esta não enganam mais ninguém. Seus eleitores votam com gosto e mesmo raiva pelas falsas acusações faladas, mas nunca provadas. Com o pré-julgamento e a condenação midiática pela grande mídia (primeiro se divulga, depois se apura?). Tem sido assim principalmente em anos eleitorais: 1970,1982,1998,2002,2004 em 2005 foi o único preso político no Brasil, com espetáculo global e shows midiáticos; mas em 2006 foi eleito deputado federal com a maior votação nominal do País, 739.827 mil votos, sendo votado em todos os 645 municípios deste Estado. Em 2009 ACP do MPF contra Maluf. Em 2010, ano eleitoral, qual será a falsa acusação que irão inventar? Paulo Maluf está escrevendo um livro, já apelidado de "livro bomba", para ser publicado depois de sua morte. Perseguido ad eternum sem opinião
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Do que será que que todos da situação tem medo, e só se aproximar ano eleitoral que começam as perseguições contra o Dep. Paulo Maluf,estão dando muito na cara.Será que não está acontecendo nada de mais sério nesses País.A corrupção descambou,a violência está em patamares absurdos,o transito está matando mais que a guerra Iraque,e ficam querendo se promover em cima do Dep. Paulo Maluf,tá parecendo coisa encomendada. 4 opiniões
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