Senador defende que Brasil "endureça" relação com Equador após empréstimo do BNDES
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), defendeu nesta segunda-feira que o governo brasileiro "endureça" em relação ao Equador. Amanhã, o embaixador brasileiro em Quito, Antonio Marques Porto, prestará esclarecimentos sobre sua convocação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula determinou que Porto retornasse ao Brasil para consultas sobre a crise envolvendo um empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a obra de uma hidrelétrica no Equador.
O Equador fez um empréstimo do BNDES para construir a usina hidrelétrica San Francisco, no Equador. Mas o governo de Quito afirma que a dívida com o BNDES, de US$ 243 milhões, não seria legal por haver supostas irregularidades na obra.
Para Fortes, é preciso que o governo Lula seja mais "firme" em relação à gestão do presidente Rafael Correa.
"Nós temos de esfriar as relações com o Equador. O Brasil não pode ficar silencioso. O brio brasileiro está ferido", disse Fortes. "O Brasil está precisando endurecer um pouco [em relação ao governo Correa]."
O embaixador Marques Porto é aguardado na Comissão de Relações Exteriores do Senado a partir das 14h30 desta terça-feira (25).
Reações
No fim de semana, os presidentes Lula e Correa trataram sobre os últimos episódios. Segundo interlocutores, o presidente equatoriano lamentou o retorno do embaixador brasileiro e disse que tem admiração pelo governo do Brasil. Antes, outras autoridades do Equador deploraram a decisão de convocação do diplomata pelo governo brasileiro.
Na última quinta-feira (20), o Equador informou que recorrerá à CCI (Câmara de Comércio Internacional), em Paris, para resolver a questão. Para o governo equatoriano, a questão deve ser resolvida por canais jurídicos com base em acordos internacionais já existentes.
As controvérsias em torno dos financiamentos das obras na usina hidrelétrica tiveram início quando o presidente equatoriano questionou o fato de o empréstimo ter sido direcionado diretamente à construtora Odebrecht. O que, para ele, não interferiria na relação da dívida do Equador com o Brasil.
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