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Brasil
18/12/2008 - 18h55

Lula diz que novo Plano de Defesa corrige negligência da Constituição de 1988

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MÁRCIO FALCÃO
colaboração para a Folha Online, em Brasília

O governo apresentou o novo Plano Estratégico de Defesa do país. Em uma cerimônia marcada por discursos moderados no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, mostraram as ações traçadas para reestruturar as Forças Armadas e a indústria do setor e defenderam maior integração entre os militares e a sociedade civil.

A proposta se baseia em três eixos principais. O primeiro trata da "reconfiguração, reorientação e reposicionamento" das Forças Armadas.

O segundo faz referência à reconstrução nacional da indústria de defesa incluindo os setores públicos como também o privado. No terceiro, o plano trata da "recomposição" das Forças Armadas e de mudanças de serviço militar, mas mantendo-o como obrigatório.

Na avaliação do presidente Lula, a nova estratégia de defesa do Brasil é importante para recuperar uma negligência dos parlamentares que elaboraram a Constituição de 1988. "Naquela época fizemos os debates com certa inocência. Não chegamos a um Ministério da Defesa que exercesse o papel de Ministério da Defesa", disse o presidente.

Apesar da expectativa, o governo não anunciou durante o lançamento o total de investimento previsto para os 23 atos legais e administrativos, que serão anunciados ao longo de 2009. Nos bastidores, comenta-se que Jobim e Unger, que coordenaram a construção do plano desde 2007, não chegaram a um entendimento em torno do volume de recursos. Sem querer polemizar o assunto, Jobim argumento que o plano prevê ações de longo prazo e desconversa.

"Vai ter dinheiro", disse o ministro. Calcula-se que, ao todo, a aprovação do plano implique num aumento dos gastos anuais da União com a área de Defesa dos atuais 1,5% do Produto Interno Bruto para algo em torno de 2,5% dentro de um prazo de cinco anos.

Um dos principais pontos da proposta é a promoção de uma política agressiva de estímulos à indústria bélica nacional, com o estabelecimento de um regime jurídico e tributário diferenciado para as empresas do setor.

Os benefícios envolveriam a concessão de incentivos fiscais e a dispensa de licitações para algumas operações de comercialização com as Forças Armadas. Em contrapartida, o governo teria direito à participação especial no quadro societário das empresas beneficiadas.

Pela proposta o reaparelhamento das Forças seria voltado para a aquisição de caças de combate, com transferência de tecnologia, para a Aeronáutica, o desenvolvimento de um sistema de monitoramento que utilize satélites e sistemas de localização e especialmente a construção do submarino de propulsão nuclear para patrulhar a costa marítima brasileira. Será criada uma Secretaria de Compras do Ministério da Defesa para estabelecer política que flexibilizem a lei de licitações para acelerar as compras, podendo, por exemplo, fazer dispensa de menor preço privilegiando a indústria nacional.

Medidas de reaparelhamento já começarão a ser sentidas em breve. Jobim afirmou que na próxima terça-feira deve anunciar um acordo com a França para a construção de quatro submarinos. O governo ainda estuda a aquisição de 50 helicópteros, modelo EC725, de carga e descarga que terão forte impacto nas ações humanitárias do Exército, como ocorreu recentemente em Santa Catarina, por causa das enchentes.

Para recompor as tropas militares, o plano mantém a obrigatoriedade do serviço militar inicial para os homens, mas como há uma procura maior para servir do que o governo procura serão adotados dois critérios: combinação do vigor físico e capacidade analítica, além representatividade de classes e regiões do país. "Hoje, o sistema funciona da seguinte forma.: no papel, é obrigatório. Na realidade, é voluntário e serve quem quer", disse Mangabeira.

Há planos de criar o serviço social civil voluntário, ao qual poderiam se incorporar homens e mulheres. As medidas também contemplam a redistribuição territorial das tropas, com reforço da atuação do Exército na Amazônia.

O ministro da Defesa também teve suas atribuições reforçadas e exercerá plenamente todos os poderes de direção das Forças Armadas que a Constituição e as leis não reservarem, expressamente, ao Presidente da República. O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas será chefiado por um oficial-general de último posto, diretamente subordinado ao ministro da Defesa. Caberá ao chefe do Estado-Maior Conjunto construir as iniciativas práticas para unificar estratégica e operacionalmente as três Forças.

Comentários dos leitores
SOBERANIA EM DESTAQUE.
Ao invés de estarmos agora em 2009 discutindo possíveis candidatos e candidatas que disputarão a Presidência da República somente no último semestre de 2009 deveríamos sim aprofundar o debate na questáo da Segurança Nacional.Em primeiro lugar esperava-se que tal discussão. tão relevante para o presente e futuro do nosso país.nascesse no Poder Executivo e permeasse os integrantes dos demais poderes em especial o poder legislativo Federal e dai se alastrasse permeando as forças vivas da Nação como Imprensa,Rádio e demais veículos de comunicação.A hora é agora e o momento é somente nosso. É triste vermos que tal iniciativa já ocorre lá fora:como fez o NEW YORK TIMES que pergunta em uma reportagém: de quem seria a amazônia?ACORDA BRASIL...vamos fazer antes a lição de casa enquanto há tempo...
sem opinião
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Luís da Velosa (1327) 28/10/2009 17h44
Luís da Velosa (1327) 28/10/2009 17h44
O MST bem que poderia se mirar no Greenpeace. Protesta, é certo e insofismável, mas dentro da lei, sem armas e sem o espectro da ignorância. Considero esse movimento pacífico, que parece radical, mas, só na defesa da vida, que o meio ambiente sustenta à solavancos. Um exemplo a ser seguido, sem medo e sem a vergonha de se ser humano. sem opinião
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jose ortega (1) 17/10/2009 08h02
jose ortega (1) 17/10/2009 08h02
O que realmente falta para nossos governantes em relação a Amazonia e o desmatamento no Brasil e ter compotencia, pulso firme e não ter interesse em proteger certos patrocinios para futuras campanhas politicas. 1 opinião
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