Investidores cobram mais informações sobre estudos do Madeira
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
Representantes de empresas interessadas em participar do leilão da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, cobraram nesta sexta-feira mais informações sobre os estudos de viabilidade do empreendimento, feitos pelo consórcio Odebrecht e por Furnas.
Durante audiência pública hoje na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), os investidores reclamaram que falta transparência em relação aos estudos e que o consórcio, que também poderá participar do leilão, poderá levar vantagem por ter informações extras.
"Ter informação é uma questão de equilíbrio para os grupos que querem participar do leilão. Sem informações niveladas não existe concorrência", declarou o diretor do Grupo Suez, Victor Paranhos.
As empresas afirmam que faltam, por exemplo, dados obtidos pelo consórcio com fornecedores de equipamento, detalhes sobre os custos das obras e sobre a população que vive no entorno do empreendimento. Para os representantes do consórcio Furnas/Odebrecht, no entanto, todas as informações recolhidas durante os estudos de viabilidade já estão disponíveis.
"Temos certeza de que tudo o que foi feito está disponibilizado para a Aneel, para o Ibama e para os órgãos estaduais. Dar publicidade cabe a cada órgão", declarou o assistente da Superintendência de Geração de Furnas Márcio Porto.
A Aneel pediu aos investidores que enviem à agência uma lista com as informações que deveriam estar disponíveis. A agência analisará as sugestões e poderá determinar que a Odebrecht divulgue as informações.
Turbina
Outra reclamação dos investidores foi quanto à previsão de utilizar turbinas tipo bulbo. A Odebrecht firmou contratos de exclusividade com fornecedores desse tipo de usina, mas a SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, determinou hoje a anulação dessas cláusulas.
"Havia uma discussão em torno disso que era uma questão comercial. Com essa decisão da SDE, mudou o quadro", declarou o presidente da Aneel, Jérson Kelman.
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