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17/04/2007 - 16h59

Leia comentários de internautas sobre o vídeo "Fala Sonia"

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da Folha Online

O último hit de humor na internet chama-se "Fala Sonia", um vídeo em que uma senhora tenta pronunciar, sem sucesso, o endereço do YouTube, orientada por um homem de voz aguda. Por enquanto, não se sabe quem é o autor do vídeo nem a identidade da mulher. O vídeo entrou na lista do YouTube dos 30 mais vistos, nesta semana, na categoria "comédia".

Reprodução
Vídeo "Fala Sonia", disponível no YouTube, faz sucesso e já teve quase 263 mil acessos
"Fala Sonia" entra na lista dos 30 vídeos de humor mais vistos
A pouca familiaridade da senhora com a linguagem da internet e com a língua inglesa provoca risos, como mostram os comentários de leitores da Folha Online consultados. Outros reagem de maneira diferente: criticam a exploração da suposta inocência da mulher, que talvez nem tenha conhecimento de que sua fala foi usada em espaço público, disponível para o acesso (ou deleite) de milhões de pessoas.

A exemplo do "Fala Sonia", outro vídeo ("O Jardineiro é Jesus") tenta fazer graça com deficiências de pronúncia. Um homem tenta repetir "As árvores somos nós", mas sempre distorce a frase para um sentido diferente ("As arveres somos nozes"). Na Globo, o programa "Caldeirão do Huck" também ganhou visibilidade com um quadro chamado "Soletrando", em que se testa a capacidade de pronunciar e dividir bem as palavras. Logo, o humorístico "Pânico na TV" criou uma paródia, em que integrantes do "Big Brother Brasil" eram as vítimas do jogo lingüístico.

Confira abaixo alguns comentários recebidos pela Folha Online sobre o vídeo "Fala Sonia".

Sandro Marin, analista de sistemas, de São José do Rio Preto (SP)

"Ao assistir ao vídeo, obviamente o riso foi inevitável. Claro. No entanto, me questionei: seria então a Sônia uma "analfabeta tecnológica"? Se sim, seria correto fazer chacota da ignorância alheia? Ou deveríamos ter pena por este desnível cultural que existe? A Sônia sabe que virou chacota nacional? Ela sabe a dimensão da zombaria?

Às vezes fico preocupado com a máxima: "E se a moda pega?" E então zombarias sobre diferenças culturais, raciais, sociais virariam moda..."

Mario Emerson

Seria hipocrisia dizer que este vídeo não me fez rir, ri muito aliás. Mas ao final do vídeo, me veio à mente a questão: Qual a graça?
Este vídeo pode ser falso, sim pode, mas retrata a realidade brasileira. A falta de informação, e pessoas que "detêm" mais conhecimento ri de que não têm. Quando rimos desse vídeo, acabamos rindo de nós mesmos, os brasileiros. Afinal, quantas Sonias não existem Brasil afora? E quantas pessoas não se aproveitam disso? Enfim, Brasil.

Mário Ribeiro

Sobre o vídeo da dificuldade de D. Sônia falar o nome do site Youtube, achei ridículo, pois fez um ser humano de tolo. Sou contra qualquer brincadeira que tenha como objetivo denegrir a imagem de outra pessoa. Acho que isso é falta de respeito com o outro ser humano que tem dificuldade, quer física, quer intelectual. O que esse vídeo contribuiu na nossa vida?

José Sérgio Tempesta, analista de sistemas, Cuiabá (MT)

"Tirar sarro da falta de conhecimento alheio é uma falta de educação sem tamanho, colocar isto na internet para que todos vejam é algo abominável. Gostaria de saber se alguém que assistiu ao vídeo (e riu) acharia a mesma graça se visse sua mãe ou seu pai passando por uma humilhação nacional, ou internacional, quem sabe. Imagine se gostaria de ir ao supermercado com sua mãe e ouvisse: - Olha, é aquela velha que fala errado do YouTube.

Acho que devemos rir sim de coisas engraçadas: um filme como o "Tapa na Pantera" é realmente muito engraçado, e se não fosse o YouTube, jamais seria conhecido tão rapidamente, mas sinceramente, não sei qual foi a graça nesse vídeo e fico preocupado com o que fazemos com nossa tecnologia. Sinceramente, fiquei muito feliz por vocês terem aberto um comentário para este filme."

Antônio Júnior, Lavras (MG)

"Nossa, até onde o ser humano vai chegar? Por que colocar uma pessoa assim num meio de comunicação que é um dos maiores do mundo (internet) e fazer com ela fique exposta assim?

Quando assisti fiquei triste. Juro que não entendo por que o autor do filmagem resolveu postar isso na internet, fazendo com que a "Sonia" ficasse famosa no pior momento. Imagino como Deus deve ficar triste com essas atitudes nossas."

Renato Garcia

"Acho que esse vídeo retrata a exclusão digital, pois Sonia não consegue pronunciar o nome de um site, e se percebe que ela não tem acesso a esse conteúdo, por não saber como pronunciar corretamente o nome do site. Provavelmente, alguém pediu para ela pronunciar o site, até mesmo para futuramente publicar e então virar esse vídeo cômico. Talvez, nem Sonia saiba que esse vídeo está rolando na internet toda..."

Giovanny Noceti Viana, historiador, Solidariedade Anti-fascista (http://membres.lycos.fr/nthines)

"O vídeo Fala Sonia mostra até que ponto se pode chegar para se conseguir fama virtual no Youtube. Não é criativo, e sim apelativo, parecido com aquele outro vídeo que expõe ao ridículo uma pessoa também com dificuldades de fala ('O jardineiro é Jesus...'). O que parece ser uma brincadeira inocente com a empregada (?), passa a ter outro sentido quando reproduzido na internet.

Esse é o retrato da nossa juventude, que não pensa nas conseqüências dos seus atos, e sim no fim último de se mostrar e conseguir alguns bytes de fama. Esse vídeo é um sintoma da falta de referências das novas gerações, perdidas no laissez-faire da internet. A volatização da sociedade, da vida, esvazia de sentido a existência, abrindo uma lacuna para a ação dos movimentos políticos e/ou religiosos radicais."

Luis Nogueira

"Achei um absurdo total. Eu, se fosse filho dessa senhora, ao ver minha mãe sendo exposta e ridicularizada desse jeito, não pensaria duas vezes: quebraria as duas mãos do cara que fez essa filmagem. E não estou falando isso por falar não, sério... ele iria ter as duas mãos quebradas pra aprender a nunca mais desrespeitar uma pessoa dessa maneira."

Danilo Silva, 21, São Paulo

"O vídeo é forçado, mas é bem engraçado. Assisti várias vezes; no começo pensei que ela fosse gaga, mas ela faz comentários do tipo 'Você tá rindo menino?' e aí percebi que não era. Resumindo, forçado como tudo é hoje na TV, e engraçado pela simplicidade apresentada pela Sonia (se esse for mesmo o nome dela) que retrata o verdadeiro povo brasileiro."

Leonardo Faria Coelho, programador de interfaces (www.leonardofaria.net)

"Fala Sonia é sinal de uma revolução do usuário, o usuário 2.0. O usuário 2.0 cria um mundo só seu, com suas particulares e preferências. O vídeo divide no Youtube o mesmo espaço de um clipe de minha banda favorita ou uma entrevista do Lula e serve para mostrar que, de consumidores passivos, viramos editores de conteúdo [hiper]ativos."

Marcos Rodrigues

"Gostei da iniciativa de fazer uma matéria sobre o que as pessoas acharam daquele vídeo. Eu acho o seguinte: não vou comentar o fato da mulher aparentar ser "analfabeta".

O vídeo é muito sem graça. O que aquele idiota ganhou fazendo aquilo com aquela senhora? Para mim, existe uma grande diferença do vídeo da Sônia, para o vídeo da Ruth Lemos. Você viu o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, pronunciando o nome do novo contratado Paulo César Carpegiani?"

Nelson Hames, Chapadão do Sul (MS)

"A grande injustiça social é o fato da Sônia não ter acesso à informação, à globalização como um todo. Bem é verdade que nossas crianças de hoje são muito diferentes das crianças que foram meus pais, e olha que tenho apenas 23 anos. Hoje nossas crianças sabem como ninguém o que significa YouTube, sabem de informática que deixam seus pais perplexos de como pode haver tanto conhecimento naquelas simples "cabecinhas", porém, infelizmente, isto não ocorre com todas as crianças do nosso amado Brasil, não são todas as crianças que já tiveram o privilégio de ao menos ver um computador de perto sem ser pela televisão, que em muitas das vezes é o único meio de informação e entretenimento.

Precisamos desarraigar isto que já é uma cultura nacional, a infeliz "injustiça social", para que as Sônias venham sim a ter acesso à informação, venham saber pronunciar corretamente o endereço do site do YouTube e que não mais se sintam desprestigiadas, rejeitadas, marginalizadas por uma boa camada da população que se diz culta, e que na verdade não passam de seres que estão transbordando a sua bestialidade."

Ricardo Amaral Andrade

"Apesar de parecer engraçado, vejo o clipe como a infeliz realidade do país, com um nível de analfabetismo altíssimo. As pessoas não são obrigadas a saber inglês, porém nota-se claramente a dificuldade em repetir foneticamente o endereço, o que é um claro sinal de uma alfabetização deficiente na vida desta pessoa...

O problema é que as pessoas não vêem isso como um problema, e sim como uma "forma de diversão" de baixíssima qualidade, superando BBB e afins. É o tipo de diversão às custas do problema alheio. Ao invés de fazer piada e expor a moça ao ridículo (e o país por conseqüência) deveria-se investir na correta educação destas pessoas...

Lamentável ver em que ponto chegamos, e nada é feito para mudar esse quadro cada vez mais decadente..."

Guilherme Damasio Goulart

"É lamentável o vídeo. Se rimos, rimos de um país em que a falta de estudo é a regra quando deveria ser a exceção! Se rimos, rimos de uma situação em que 80% das pessoas em nosso país nunca usaram um computador. Se rimos, rimos quando deveríamos chorar. Se rimos, rimos de nós mesmos!"

Cesar Miranda

"Embora o vídeo possa parecer engraçado no início, ao refletir-se no que foi assistido percebe-se mais uma vez o tipo de exclusão de que o povo brasileiro é vítima.

Fazer uma pessoa passar por esse constrangimento em função da dificuldade de pronunciar um endereço de site em inglês é uma tremenda falta de respeito, e provavelmente a mesma nem sequer sabia que estava sendo filmada! Considero isto uma piada de muito mau gosto."

Everton Schimidt

"O Brasil passando por dificuldades, como sempre passará, e jornais como a Folha, preocupando com um filminho sem valor. Realmente a net, é 5,8% útil. O resto é ...."

Maria Cecilia

"Quando assisti ao vídeo "Fala Sônia", a única coisa que pude sentir foi pena. Não somente da pobre mulher ridicularizada por milhares de pessoas, mas também pena de um país onde esse tipo de coisa dá ibope. Li nos comentários do próprio YouTube a opinião de um internauta que pensa como eu. É ridículo que um vídeo (por sinal sem graça) humilhando uma pessoa seja tão acessado, e criticado por pessoas que mal sabem português, e ficam rindo de uma pessoa claramente sem acesso à instrução tentando pronunciar algo em inglês. Mais ridículo ainda é o interlocutor da Sônia, que, mesmo quando ela percebe que estão rindo dela, é o primeiro a falar para ela não se importar e incentivar a mulher a continuar fornecendo material para que ela fosse humilhada depois. Afinal, para mim é claro que naquele momento ela já tinha a intenção de desfrutar dos seus 15 minutos de fama na internet.

Lendo alguns poucos comentários, ainda fiquei chocada com a violência das pessoas, agredindo verbalmente uma mulher cujo pecado foi não conseguir pronunciar algo que nem se assemelha a uma palavra português. Gostaria que cada uma dessas pessoas pensasse, antes de agredir uma desconhecida que não fez mal a nenhum deles, se tem conhecimento e cultura suficientes para ridicularizar alguém por falta de conhecimento. Certamente que não têm, pois quanto mais conhecimento temos, mais nos damos conta de que ele nunca é suficiente. Pobres de nós, que temos um povo desses. Pobres de nós, que não temos sequer perspectiva de um plano de educação que, antes de pensar em ensinar a alguém alguma coisa em outra língua que não o português, ensine valores de decência e respeito ao próximo.

Faço parte de uma minoria no Brasil. Tenho 27 anos, sou aluna de doutorado de uma instituição respeitada no país, cumprindo um ano de estágio de doutoramento no exterior, sendo esta minha segunda vivência fora do Brasil. Falo fluentemente três línguas e, antes de sair do país, estava freqüentando aulas para aprender uma quarta língua. Tive oportunidade de estudar numa Universidade pública, gratuita e de qualidade. Terminei o mestrado nesta mesma instituição pública onde faço doutorado. Mas ao que me parece quando leio este tipo de coisa, o principal diferencial que tenho em relação ao povo brasileiro não é a educação acadêmica, e sim a educação que tive em casa. Minha mãe sempre me ensinou que as oportunidades que a vida me oferecia não me faziam melhor que ninguém, não me davam direito de ridicularizar ninguém, e sim aumentavam minha responsabilidade para ajudar a construir uma sociedade mais justa, e principalmente mais humana."

Bruno Nunes, de Porto Alegre (RS)

"Quem vai rir bastante é ela, quando processar essa família e levar uma bolada."

Eneas Maffei

"Acho que a Sonia deveria a esta altura do campeonato, estar recebendo uma boa grana como salário pelo papel cômico que ela protagonizou, divertindo milhares de pessoas, num contexto em nossa sociedade em que um Ratinho ganha um milhão e meio para "enrolar" um público idiota e ingênuo."

Alex (deusenhista@gmail.com)

"Tenho duas opiniões a respeito do vídeo:

1 - É engraçado, divertido e, segundo fontes, foi permitido pela própria Sonia. É besteirol sem qualidade e demonstra o analfabetismo (ainda que funcional) do povo brasileiro, mas é engraçado e é o que importa.

2 - Acho que a Folha deveria arrumar assuntos mais interessantes e importantes para tratar. Se eu quiser ver besteirol e videozinhos engraçados, eu acesso blogs. Quando acesso a Folha, eu busco informação de qualidade."

Tiago Santos, blogdocabeca.blogspot.com

"Sônia é a vítima social de uma nação desplugada. Este vídeo mostra que a população brasileira de baixa renda, com mais de 30 anos, desconhece a grande rede e serve para rirmos das desgraças dos outros. Pois ri muito quando vi o vídeo pela primeira vez."

Guilherme Gomes Pinto

"O vídeo é a prova de que basta uma boa idéia (e uma câmera na mão - atualmente até um celular com vídeo serve) para se produzir algo de interesse coletivo. E neste novo mundo em que vivemos, em que as novas mídias como blogs, fotologs, Orkuts, You Tube, comunidades etc. ganham espaço e adeptos de uma forma alucinante, o alcance de algo tão simples pode ser inimaginável. Pessoalmente, achei o vídeo divertidíssimo. Li alguns posts de gente indignada, repudiando uma suposta humilhação da tal Sônia por parte do autor. Teve até brasileiro que vive no exterior escrevendo que o autor deveria ensiná-la a falar em vez de fazer o vídeo. Isso tudo é balela, falso moralismo! Vídeos no You Tube não têm a obrigação de serem politicamente corretos. Ali tem de tudo, é o espelho do mundo. Quer ajudar os pobres e famintos do terceiro mundo? Tem vídeos sobre isso. Quer dar risada, daquelas gostosas, de rolar? Assista ao vídeo da Sônia."

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