Mundo
28/03/2008 - 17h34

Marido de Betancourt considera "confusa" proposta de Bogotá para as Farc

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da Folha Online

O marido da refém franco-colombiana das Farc (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt, Juan Carlos Lecompte, afirmou nesta sexta-feira que a proposta do governo colombiano para libertar rebeldes das Farc presos em troca de sua mulher "é confusa".

Segundo ele, seria melhor se o governo respondesse aos pedidos concretos da guerrilha como a desmilitarização de 800 km2 no sudoeste do país para negociar a libertação de reféns.

"É uma proposta confusa. Se a tivessem oferecido algo mais concreto e acrescentado respostas a pedidos concretos da guerrilha, como a desmilitarização dos povoados de Florida e Pradera, por exemplo, teríamos maiores esperanças", declarou Lecompte.

Ele também reiterou seu apelo à guerrilha para que liberte sua mulher, seqüestrada desde 2002.

Troca

O governo colombiano anunciou na noite desta quinta-feira (27) a intenção de trocar rebeldes das Farc por reféns da guerrilha. A medida foi anunciada pelo alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, e está prevista em decreto assinado pelo ministro do Interior e da Justiça, Carlos Holguín Sardi.

Restrepo afirmou também que, se as Farc libertarem a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, dará por iniciado o acordo humanitário para a troca de reféns por rebeldes presos. A afirmação do governo, que representa uma mudança da posição adotada até o momento, foi divulgada após as notícias de que o estado de saúde de Ingrid é muito grave.

"Basta simplesmente que a doutora Ingrid Betancourt seja libertada para considerarmos que o acordo humanitário está vigente e, neste sentido, conceder os benefícios da suspensão condicional da pena dos membros do grupo guerrilheiro", disse Restrepo, em Bogotá.

26.fev.2002/AP
Imagem de vídeo mostra a refém franco-colombiana Ingrid Betancourt durante entrevista para TV norte-americana em 2002
Imagem de vídeo mostra Ingrid Betancourt durante entrevista para TV norte-americana antes de ser seqüestrada em 2002

Segundo Restrepo, o interesse do governo colombiano, "em primeiro lugar, é a saúde de Ingrid Betancourt, mas cremos que este mecanismo permite que, também de maneira imediata, os outros seqüestrados que estão em difíceis condições de saúde e, em geral, a totalidade dos seqüestrados que as Farc mantêm em seu poder para realizar o acordo humanitário, podem se beneficiar com o mecanismo".

Em entrevista coletiva realizada na Casa de Nariño --sede presidencial-, Restrepo citou a base jurídica que permite que o governo de Álvaro Uribe inicie a troca dos reféns da guerrilha por rebeldes das Farc presos. Consultado sobre o número de rebeldes que se beneficiaria com a libertação, Restrepo explicou que não existe um limite numérico.

"Esperamos que, a partir deste momento, o clamor nacional e internacional pela libertação de Ingrid Betancourt possa levar a que, da maneira mais rápida possível, se concretize sua libertação, pois o governo está disposto a dar de maneira imediata os passos para que os membros do grupo guerrilheiro que a mantêm em seu poder recebam os benefícios jurídicos", explicou.

Saúde

O estado de saúde da política franco-colombiana piorou tanto que a guerrilha teve de levá-la a um posto médico para ser atendida, informou ontem o defensor público Vólmar Pérez. Em função disso, a ex-candidata presidencial chegou a receber atendimento médico em postos de saúde dos municípios de San José e El Retorno.

Ingrid, que está seqüestrada desde 23 de fevereiro de 2002, parece sofrer de leishmaniose e hepatite B, segundo dados obtidos pelo defensor público.

A área mencionada por Pérez foi cenário, entre 10 de janeiro e 27 de fevereiro, da libertação dos reféns das Farc, Clara Rojas, Consuelo González, Luis Eladio Pérez, Gloria Polanco, Jorge Géchem e Orlando Beltrán.

O funcionário disse que os dados foram obtidos com autoridades e pessoas cuja identidade está sendo mantida em sigilo por questão de segurança. Disse ainda que seu gabinete está tentando fazer chegar medicamentos à refém.

Em um primeira reação a essas declarações (antes do anúncio feito pela noite), Restrepo minimizou a versão assinalando que a mesma se baseia em rumores sobre os quais o governo tinha conhecimento e cuja autenticidade não pôde ser comprovada.

As mais recentes provas de vida de Betancourt --um vídeo e uma carta-- datam de 24 de outubro e foram divulgadas um mês depois. Na gravação, a política aparece muito magra e abatida, e evita olhar a câmera.

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. sem opinião
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O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
BOA URIBE! sem opinião
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