Mianmar inicia votação para referendo de nova Constituição
da Folha Online
da France Presse, em Yangun
Os postos de votação abriram neste sábado em algumas regiões de Mianmar para que a população participe de um referendo sobre uma nova Constituição, uma semana após a passagem do ciclone Nargis, que deixou milhares de mortos e devastou o país.
A junta militar birmanesa adiou a votação para o dia 24 de maio nas áreas mais afetadas pelo Nargis, em particular no sul do rio Irrawaddy e na cidade de Yangun, mantendo-a, porém, no restante do país.
O governo militar brimanês anunciou em fevereiro a convocação do referendo sobre uma nova Constituição, que abre caminho para a realização de eleições pluripartidárias em 2010.
O anúncio aconteceu em meio às pressões internacionais sobre o regime militar depois da repressão contra os monges budistas que lideraram manifestações hostis à junta em setembro. Na ocasião, 31 pessoas morreram segundo a ONU e outras 74 continuam desaparecidas.
As últimas eleições em Mianmar foram realizadas em 1990 e nelas a Liga Nacional para a Democracia (LND), partido da líder opositora Aung San Suu Kyi, teve uma ampla vitória, mas a junta jamais reconheceu os resultados.
Grupos de oposição no exílio e associações étnicas pediram o "não" à Constituição redigida pela Junta Militar.
"Não podemos aceitar um plebiscito dirigido a perpetuar a ditadura militar em vez da unidade étnica. Instamos todas as pessoas a votar 'não'. Esta não é uma solução para Mianmar", declarou um membro da dissidência.
A oposição democrática defende o estabelecimento de um diálogo com a Junta Militar.
A Liga Nacional para a Democracia (LND), o principal partido da oposição e que é liderado pelo prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, já rejeitou ontem a Carta Magna dos militares.
"Todas as pessoas responsáveis devem participar do processo de redação da Constituição e de transformar a nação", afirmou a LND por meio de um comunicado.
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