Mundo
16/06/2008 - 13h37

Análise: Obama enfrenta questões raciais em Estados cruciais para as eleições

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ANDREA HOPKINS
da Reuters, em Ohio

O operário Dan Goodpaster gostava do democrata Barack Obama quando ele ouviu o jovem político falar na convenção do partido, em 2004. Agora ele tende a votar no republicano John McCain nas eleições gerais de novembro.

"É uma decisão difícil. Eu realmente gostava do discurso de Obama lá trás, mas desde essa confusão, toda esta controvérsia, eu gosto do McCain", disse Goodpaster, 40, enquanto pegava produtos em um mercado do banco de comida patrocinado pelo sindicato dos operários de fábricas automobilísticas, em Dayton.

Semanas depois de Obama condenar os comentários raciais de seu ex-pastor, alguns operários brancos do coração industrial da América disseram estar céticos sobre votar em Obama, que seria o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Enquanto uma maioria dos eleitores em muitos Estados predominantemente brancos apoiaram Obama durante as primárias democratas, pesquisas de boca-de-urna em Estados nos quis perdeu para Hillary Clinton mostram que os eleitores estão preocupados com a questão racial, jogando uma sombra sobre as chances de Obama em partes do país que ele precisa para ganhar a Casa Branca.

Uma pesquisa do jornal norte-americano "Wall Street Journal" e da rede de televisão NBC divulgada na semana passada mostrou que enquanto Obama lidera McCain com 47% contra 41% das intenções de voto no cenário nacional, McCain tem margem de 20 pontos sobre Obama entre os homens negros (55% contra 35%).

Isso mostra o cenário da disputa entre Obama e McCain pelos operários brancos em Estados em crise econômica, mas ricos em votos, como Ohio, Pensilvânia e Michigan. Qualquer um destes pode definir a eleição.

"Um número considerável de operários brancos estarão disponíveis para as campanhas, particularmente em Ohio e nos Estados do "cinturão enferrujado" [uma referência à falida indústria do ferro que se estabeleceu na região]", disse Paul Beck, analista político da Universidade Estadual de Ohio.

"Estas são pessoas que vivem problemas econômicos o que pode significar que Obama e os democratas tem maiores chances em 2008 do que em 2000 e 2004. Mas eu penso que será o maior desafio de Obama, por causa da influência da questão racial", completou.

Democratas são tipicamente vistos como o partido que representa a classe operária, com o foco em assuntos de assistência social incluindo plano de saúde, educação e trabalho.

Ódio declarado

O operário aposentado Don Coulter, 61, ouviu em primeira mão o racismo que Obama combate. Coulter, que é negro, disse que muitos de seus colegas de trabalho disseram a ele que preferem um presidente branco.

"O que eu estou ouvindo é que "eu não vou votar em um homem negro, ponto"", disse Coulter, que apóia Obama e registra eleitores em Columbus, em Ohio.

"Eu tento não ficar chateado. Você tem que ficar calmo e tranqüilo e dizer a eles 'você quer a mesma coisa que você teve por oito anos?Você quer melhores empregos para seus filhos'", disse o amigo de Colter, Jeff Harper, 39, um líder sindicalista e operário na usina de carvão em Columbus.

Ele diz que Obama ainda enfrenta outros assuntos --Harper ainda recebe e-mails que insistem que Obama é muçulmano--, mas muitos não são por causa de sua cor de pele.

"Eles estão preocupados em ter um homem negro na Presidência... meu pai vive na Carolina do Sul, você pode imaginar o trabalho para convencê-lo", disse Harper, que é branco.

Menos óbvio que o ódio racial, mas igualmente problemático são os estereótipos entre os eleitores operários brancos, disse a cientista política Alan Abramowitz, da Universidade de Emory, em Atlanta.

Muitos eleitores brancos acreditam que os negros foram desproporcionalmente pobres e que tem menos educação que eles porque não tentam o suficiente, diz Alan, citando a pesquisa de 2004 da National Election Study.

Tais atitudes foram um fator em padrões de votação nas primárias e podem ser um fator nas eleições gerais de novembro.

Alan disse ser importante lembrar que os candidatos democratas de antes, John Kerry e Al Gore, lutaram para ganhar os votos brancos, especialmente no sul e no "cinturão enferrujado".

Os operários já decidiram há muito tempo sua lealdade política nos Estados Unidos, gravitando entre o republicano Ronald Reagan nos anos 80 e o republicano George W. Bush, nos anos 2000.

Da sua parte, o operário de Dayton Goodpaster disse ainda estar indeciso sobre seu voto e citou empregos e economia como suas principais preocupações --assuntos que os democratas esperam capitalizar nas áreas em crise econômica do país.

"É somente o fato de que voCê realmente não sabe que Obama é agora [que me preocupa]", disse. "McCain é uma escolha muito mais clara", completou.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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