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Juca Kfouri

Devagar e sempre

As coisas nunca caminham na rapidez que desejamos, mas quando caminham para frente, temos de festejar

UM TRIO feminino da pesada está sendo apontado pela Associação Atletas pelo Brasil (novo nome da Atletas pela Cidadania) como fortemente responsável pela aprovação, unânime no Senado, da lei que restringe as reeleições, obriga transparência e amplia o colégio eleitoral das entidades esportivas que recebam, direta ou indiretamente, dinheiro público.

O trio tem Dilma na retaguarda, Ideli no meio de campo e Ana Rita, no ataque.

Foram elas, segundo Ana Moser, a mulher que faz do trio um quarteto glorioso e que preside a Atletas pelo Brasil, que desconheceram as pressões da cartolagem e praticamente constrangeram os senadores recalcitrantes a votar contra os interesses de dona CBF, esta uma senhora despudorada, e do COB.

Houve tucano que quis empurrar a votação com o bico, temeroso de ajudar um gol do governo federal, esquecido de que o gol é do país e de que, além do mais, o avanço se deu numa legislação toda arquitetada no governo FHC, também por unanimidade, com o apoio da oposição de então, hoje no poder.

O trio DIA, composto pela presidente Dilma Rousseff, a ministra Ideli Salvatti e a senadora Ana Rita (PT-ES), jogou luz e limpeza na noite escura de nossas entidades esportivas e pode ir mais longe.

Tanto que está anunciado que, por ocasião da sanção presidencial ao novo texto legal modernizador e moralizador do esporte nacional, os Atletas pelo Brasil entregarão um projeto de política esportiva para o país implantar ainda antes da Copa do Mundo, fecho com gol de ouro para as articulações febris que fizeram nos últimos tempos em Brasília, invariavelmente com a presença dos campeões mundiais de futebol em 1994, Raí e Mauro Silva.

Por mais dissimulados que alguns políticos sejam, a ponto de não serem poucos os que calculam ter entregue apenas os anéis olímpicos para não entregar os dedos sujos, o fato é que as coisas têm andado no esporte brasileiro, mesmo que não no ritmo que gostaríamos.

É assim mesmo que os processos se dão numa democracia. A lentidão irrita, até exaspera. Basta olhar para trás, porém, e verificar o quanto se caminhou nos últimos anos, mais exatamente nos últimos 15, da Lei Pelé para cá.

Será preciso que se vigie permanentemente os próximos passos, porque sempre há o risco de malandragem na regulamentação das medidas, como a própria Lei Pelé, algumas vezes estuprada, bem sabe.

Não é à toa que a CBF mantém, há anos, um lobista em Brasília.

Mas deu gosto ver o que a presença de um Guga é capaz de causar no Senado.

Só a mobilização de tantos ídolos do nosso esporte permitiu o golaço, a cesta de três pontos e o ponto decisivo que trarão novas esperanças às nossas quadras, piscinas, pistas e gramados.


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