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Juca Kfouri

O malandro e o Mané

Malandro é o Emerson Sheik, campeoníssimo. Falso malandro nem precisa dizer quem é

JOÃO SALDANHA, inesquecível, gostava de dizer que queria fulano ou beltrano para jogar no seu time, não para casar com sua filha.

Durante anos repeti a frase até que um dia me dei conta de que não queria mais saber de gente que não serve para casar com minha filha.

No futebol, inclusive.

Porque Saldanha dizia essas coisas quando era bacana lembrar com nostalgia do Clube dos Cafajestes, que era muito mais um clube de bons viventes do que propriamente de cafajestes.

Do mesmo modo que boêmio é uma coisa e cafajeste é outra, malandro é uma coisa, falso malandro, ou mané, é outra.

No futebol, malandro é o Emerson Sheik, que deu a cara para o argentino Caruzzo bater e mordeu-lhe a mão, além de fazer os dois gols da decisão da Libertadores, contra o Boca Juniors.

Malandro e colecionador de títulos pelos clubes brasileiros que defendeu, tricampeão nacional que foi em 2009, 2010 e 2011 por Flamengo, Fluminense e Corinthians, respectivamente.

Já Luis Fabiano é o falso malandro, é um Fabuloso mané, expulso em apenas 13 minutos de jogo

contra o fraco Tigre na decisão da Copa Sul-Americana, ao tentar chutar, e nem acertar, o zagueiro rival Donati.

O que explica por que com a camisa do São Paulo ele tem apenas um título -e do Rio-São Paulo...

Deve até ganhar o segundo agora, porque só um episódio tolimal, ou mazembal, frustrará o Morumbi nesta quarta-feira.

Mas Luis Fabiano não sairá na foto, suspenso que está.

Entre o Sheik e o Fabuloso, para jogar no meu time, não tenho a menor dúvida sobre quem prefiro.

Verdade que, de fato, no entanto, não queria nem um nem outro.

Porque, na vida, o malandro é Luis Fabiano, cidadão correto, exemplar, e o mané é Emerson, metido em toda sorte de confusões.

Ou seja, é como se, figuramente, um não fumasse, não bebesse e... não jogasse.

E o outro, ao contrário.

Então, para ser coerente, não quero um, que deixaria o meu time na mão, nem quero outro, de convivência complicada.

E aí, diante de tudo isso, como

fazer para montar o ataque do meu time?

Quem escolher sob princípios tão rígidos e antiquados, avessos ao pragmatismo que comanda este mundo que celebra apenas as vitórias e não se importa com os meios para atingi-las?

Ora, a resposta é fácil, facílima.

Alguém como Tostão.

Saldanha assinaria embaixo.

QUERIDO MESSI

Sabe como perceber que alguém virou unanimidade positiva, perto da beatificação?

É quando este alguém cai com a mão no joelho, sai do gramado de maca, chorando, e o mundo todo vai dormir preocupado. Mas comemora, no dia seguinte, ao ficar sabendo que não houve nada de grave com Lionel Messi.

Pelé, na Copa do Mundo de 1962, viveu isso. Ronaldo Fenômeno, três vezes, também.

Infelizmente, com uma diferença: era grave.


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