Theresa May tropeça de novo em reforma ministerial no Reino Unido

DIOGO BERCITO
DE MADRI

A reforma do gabinete britânico iniciada nesta semana pela primeira-ministra conservadora, Theresa May, era aguardada como uma manobra para estabilizar seu governo, fragilizado nos últimos meses por crises e derrotas eleitorais.

Como outras das apostas políticas da premiê, porém, a dança das cadeiras teve um efeito diferente do desejado: evidenciou a debilidade da liderança de May.

Crédito: Tim Ireland/Xinhua A primeira-ministra britânica, Theresa May, chega à sede do governo para reunião de secretários
A primeira-ministra britânica, Theresa May, chega à sede do governo para reunião de secretários

A primeira-ministra iniciou a troca dos secretários na segunda-feira (8), mas foi desafiada por políticos em desacordo com as mudanças.

Jeremy Hunt, por exemplo, rejeitou o cargo de secretário de Negócios e convenceu May a deixá-lo na Saúde, o que impediu outras trocas. Já Justine Greening, secretária da Educação, recusou a pasta de Trabalho e Aposentadoria, o que motivou sua demissão.

A imprensa britânica interpretou os desafios vindos dos ministros como amostra da pouca firmeza com que May se relaciona com seu partido e lidera seu gabinete. Em comparação, na reforma ministerial de julho de 2016, ela havia podido retirar pesos-pesados dos cargos.

Alimentando ainda mais a imagem de que o governo passa por um momento caótico, a conta oficial do Partido Conservador em uma rede social congratulou a pessoa errada por se tornar o novo líder da sigla governista: Chris Grayling recebeu os parabéns, em vez de Brandon Lewis.

Apesar das mudanças pontuais, o gabinete de May permanece bastante parecido com o anterior, em especial nas áreas estratégicas.

Philip Hammond continua como chanceler, Amber Rudd mantém o Interior e Liam Fox segue no Comércio, frustrando quem esperava renovação.

Jeremy Corbyn, líder do oposicionista Partido Trabalhista, disse que o país vive uma grave crise no sistema de saúde "enquanto o grande plano do governo para o novo ano é se desviar das questões reais e embaralhar as cartas em um exercício de relações públicas inútil".

Tentando apaziguar os críticos, May utilizou o segundo dia de reformas, terça-feira (9), para nomear políticos mais jovens a posições juniores em suas secretarias.

'BREXIT'

Em meio às crises, a primeira-ministra precisa lidar com uma das tarefas mais complexas da história recente do país: as negociações com a União Europeia para o "brexit", a retirada do Reino Unido do bloco econômico.

Essas tratativas incluem o pagamento de uma multa e a possibilidade de o governo britânico abandonar importantes acordos comerciais. O divórcio deve ser concluído até março de 2019.

Agravando o cenário, May perdeu a maioria parlamentar depois de ter antecipado as eleições para junho de 2017. Na sequência, teve de se coligar com uma pequena sigla da Irlanda do Norte para formar governo —arranjo instável, que pode conduzir a um novo pleito até o fim de 2018.

Além disso, May teve de lidar com uma série de atentados terroristas, como o que deixou 22 mortos ao fim de uma apresentação da cantora Ariana Grande, em maio de 2017, em Manchester.

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