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07/09/2010 - 10h13

Erguido há 97 anos, edifício Guinle esbanja saúde de concreto

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GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO

O arquiteto Hyppolito Gustavo Pujol Júnior deu um passo revolucionário na arquitetura de São Paulo, após projetar o que muitos consideram o primeiro arranha-céu da cidade: em 1913, estava de pé o edifício Guinle, de sete andares e 36 metros de altura, pioneiro na tecnologia de concreto armado (com barras de aço) no país. O edifício, tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo), resiste com as mesmas características, na rua Direita, no centro.

Jefferson Coppola/Folhapress
Fachada do edifício Guinle, no centro de SP; construído em 1913, foi um dos primeiros arranha-céus da cidade
Fachada do edifício Guinle, no centro de SP; construído em 1913, foi um dos primeiros arranha-céus da cidade

Quase cem anos após a construção, ele é considerado um exemplo de estrutura, já que o concreto foi aprovado em testes rigorosos feitos no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) recentemente. E os donos têm em mãos um projeto para restaurar a fachada do prédio histórico.

Numa época em que a cidade tinha edificações de, no máximo, dois andares, o concreto usado no Guinle passou por testes semelhantes no mesmo instituto, então chamado Gabinete de Resistência dos Materiais da Escola Politécnica.

"Na época da construção, o concreto foi muito bem estudado. Isso tem a ver com as condições dele hoje", explica o engenheiro civil e pesquisador do IPT Luiz Tsuguio Hamassaki, que participou de um estudo sobre o Guinle na década de 1990. No laboratório da entidade está o cilindro de concreto retirado do prédio para que fossem feitos os testes de resistência e absorção, os quais atestam a qualidade da estrutura.

Nos novos testes, foi constatado que a estrutura do concreto era bastante satisfatória. "O material do Guinle estava bom em termos de durabilidade e estrutura, mas precisava de alguma manutenção", reforça Hamassaki. Segundo o estudo, apenas algumas anomalias foram constatadas, mas podiam ser eliminadas com "simples reparos".

A família carioca que dá nome à construção, uma das mais ricas do país à época, decidiu construir o prédio para manter na capital uma sede da Guinle & Cia, que havia ganhado a concessão para construir o porto de Santos. De lá para cá, o imóvel passou por outros donos até ser comprado pelos sócios da Mundial Calçados, em 1997. Os novos proprietários fizeram uma operação limpeza na fachada, recuperando esquadrias em pinho de riga e grades de ferro que compunham a obra de estilo art nouveau. Hoje, no térreo fica a loja. Os andares superiores são usados como estoque e sala de reunião.

Em 2009, os sócios contrataram um escritório para fazer o projeto de restauração do prédio e deixá-lo como Pujol Júnior o planejou. A iniciativa foi aprovada pelo Conpresp neste ano. Se for adiante, haverá a reforma da fachada e a substituição de alguns elementos que descaracterizaram o prédio ao longo dos anos e de materiais danificados.

O projeto de Pujol Júnior, de 1912, previa um edifício com 32 m. Mas a cobertura ganhou duas edículas e o Guinle cresceu quatro metros, chegando aos 36 m. Pequeno para os padrões atuais de arranha-céu, mas grande em valor histórico.

Como o concreto é testado

1. Um cilindro do material é retirado do edifício para ser submetido a testes de resistência no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

2. A peça é colocada numa prensa e, se não suportar uma carga mínima e estourar, é sinal de que há problema estrutural. O concreto deve aguentar uma carga de cerca de 200 kg/cm 2. A peça do Guinle aguentou perto de 250 kg/cm 2

3. A peça de concreto é pesada e colocada num forno. Após esfriar, o cilindro vai para um tanque de água, onde fica por alguns dias. Depois, é pesado novamente. O concreto em más condições absorve mais água e fica mais pesado, o que indica riscos sérios. O edifício Guinle também teve resultado satisfatório nesse teste

 

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