Último sobrevivente do seu povo, índio vive isolado há 22 anos na Amazônia

O grupo em que o indígena vivia foi dizimado por madeireiros

Carlos Madeiro
Maceió

A Funai (Fundação Nacional do Índio) divulgou imagens inéditas de um índio que vive isolado na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia. Conhecido como o "índio do buraco", ele é acompanhado por técnicos há 22 anos no meio da floresta Amazônica.

As imagens são recentes, foram feitas à distância e mostram o indígena tentando cortar uma árvore. Ele sobrevive de modo rudimentar, com roças de milho, batata, cará, banana e mamão. Ele também caça animais para se alimentar. 

Dizimados por madeireiros

O "índio do buraco" vivia em grupo até meados de 1995, em um povo que a Funai estimava em apenas seis pessoas. Segundo a fundação, eles foram atacados por madeireiros e acabaram praticamente dizimados.

"Na década de 1980, a colonização desordenada, a instalação de fazendas e a exploração ilegal de madeira em Rondônia provocaram sucessivos ataques aos povos indígenas isolados que até então viviam nessas regiões, num constante processo de expulsão de suas terras e de morte. Após o último ataque de fazendeiros ocorrido no final de 1995, o grupo que provavelmente já era pequeno se tornou uma pessoa só. Os culpados jamais foram punidos", informou a Funai. 

"Quando a Funai finalmente confirmou sua presença, já havia apenas uma pessoa. No entanto, outros indícios anteriores levaram os servidores a crer que ali residia um grupo maior", completou o órgão.

O índio foi descoberto pela Funai em junho de 1996. Isso ocorreu a partir da localização do acampamento e outros vestígios da presença dele.

"A Funai realizou algumas tentativas de contato, mas logo recuou ao perceber que não era da vontade dele. A última tentativa ocorreu em 2005. Deste então, os servidores que o acompanham deixam apenas algumas ferramentas e sementes  para plantio em locais por onde ele passa frequentemente."   

Acompanhamento à distância

Segundo a Funai, nos últimos dez anos foram realizadas 57 ações de monitoramento do indígena, com algo em torno de 40 viagens para ações de vigilância e proteção da terra indígena onde vive. 

Até hoje, foram documentadas 48 moradias por onde o indígena passou.

Quem acompanha o índio é a FPE (Frente de Proteção Etnoambiental) Guaporé. A Funai realiza ações de vigilância do território, sem trocar qualquer diálogo. O contato é feito apenas para fornecer objetos úteis para a sua sobrevivência.

A delimitação da terra onde vive o "índio do buraco" foi criada em 2015, por meio da portaria do órgão. A área demarcada possui 8.070 hectares.

Mas, antes mesmo de virar terra oficializada, a Funai fez interdições da área desde que ele foi encontrado.

Segundo a coordenação da FPE Guaporé, o monitoramento do índio é feito sempre à distância e há mais de cinco anos não se observam invasões de pessoas estranhas na área.

UOL
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