Após invasões na Amazônia, base do ICMBio é atacada no Paraná

Ataque se soma a sequência de ameaças, invasões e protestos contra órgãos de fiscalização ambiental

Estelita Hass Carazzai
Curitiba

Uma base do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) no Parque Nacional de Ilha Grande, no oeste do Paraná, foi atacada e teve móveis e utensílios destruídos na semana passada.

É o segundo ataque ao local nos últimos dois meses, em meio a uma sequência de protestos, invasões e ameaças a servidores de órgãos de fiscalização ambiental na Amazônia.

O ataque foi descoberto na manhã da última quarta-feira (9). Os invasores arrombaram a casa e destruíram fogões, camas e pias. Em novembro, houve um princípio de incêndio na mesma base, situada na cidade de São Jorge do Patrocínio e utilizada esporadicamente pelos servidores. 

O caso é investigado pela Polícia Federal, que já identificou alguns suspeitos. Uma das hipóteses é que a ação tenha sido uma represália à fiscalização de imóveis construídos irregularmente na região. 

Nos últimos quatro anos, cerca de cem casas de veraneio, erguidas irregularmente na área do parque, foram demolidas pelo ICMBio e pelo Ministério Público Federal.

“Algumas pessoas não concordam, ficam revoltadas”, diz o analista ambiental Tersio Pezenti, que trabalha no parque. Ele, porém, afirma não ter notícias de ameaças contra os fiscais.

Outra possibilidade é que grupos contrabandistas, que usam o rio Paraná para transportar mercadorias, tenham provocado o ataque. O parque fica próximo à divisa com o Paraguai.

Segundo o delegado da PF Fernando Bertuol, os indícios apontam que os ataques foram praticados pelo mesmo grupo.

Ataques recentes a órgãos ambientais

  1. 30.setembro.2018

    Um carro do ICMBio (InstitutoChico Mendes) teve parte dos vidros quebrados em em Guajará-Mirim (RO), após operação contra extração ilegal de madeira

  2. 14.outubro.2018

    Duas semanas depois, uma moto foi furtada na mesma cidade. Um funcionário do ICMBio recebeu o recado de que o veículo havia sido furtado para cobrir parte do prejuízo com as apreensões

  3. 19.outubro.2018

    Enquanto uma equipe do ICMBio estava na Floresta Nacional Itaituba 2, em Trairão (PA), foi queimada uma ponte na única estrada de acesso

  4. 21.outubro.2018

    Um homem ateou fogo em três das dez viaturas do Ibama estacionadas em frente a um hotel em Buritis (RO)

  5. 13.dezembro.2018

    Equipe com ICMBio, PMs e policiais civis teve o caminho bloqueado após uma ponte ter sido destruída na Floresta Nacional do Jacundá

“Que foi intencional, não tem dúvida”, disse o investigador à Folha. O inquérito continua em andamento. 

Em nota, o presidente do ICMBio, Adalberto Sigismundo Eberhard, lamentou o episódio e disse que o crime “atenta contra o patrimônio público, a sociedade brasileira e as ações do ICMBio em defesa do meio ambiente”. O órgão informou que as ações de fiscalização serão intensificadas.

Atualmente, seis servidores atuam no Parque Nacional de Ilha Grande, que abrange 76 mil hectares.

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