Paula Lavigne lança app para postar foto em prol da Amazônia e convoca artistas

Idealizadora diz que aplicativo #342Amazônia facilitará a vida de quem quer se engajar na causa ecológica

Anna Virginia Balloussier
Rio de Janeiro

Pablo Vittar bloqueou Paula Lavigne no WhatsApp, mas a empresária não guarda ressentimentos da cantora, pelo contrário. “Conto essa história sem um pingo de raiva, pra mostrar como eu sou a chata que fica mandando campanha. Não sei como não me mandaram à merda ainda”, diz à Folha.

A capacidade de mobilizar a classe artística em prol de alguma causa, e uma que geralmente envolve Brasília, vem fazendo de Paula uma face pop do ativismo no Brasil. 

E suas energias, agora, estão concentradas no #342Amazônia, o braço ambiental de uma rede que ela criou para defender no Congresso bandeiras de sotaque progressista. 

 
Imagem do aplicativo #342Amazônia
Imagem do aplicativo #342Amazônia - Reprodução

O número, 342, surgiu durante uma crise do governo Michel Temer: uma referência ao mínimo de deputados exigido para que a Câmara autorizasse o Supremo Tribunal Federal a analisar uma denúncia criminal contra o então presidente. 

A turma de Paula queria isso, e viu na internet um meio de pressionar parlamentares. Uma estratégia que Paula quer sofisticar com o aplicativo #342Amazônia, lançado na terça (4) num show liderado por seu companheiro, Caetano Veloso, no Circo Voador, casa cultural no Rio.

Ali artistas como Bela Gil, Luisa Mell e Mateus Solano se revezaram para defender a natureza. Maria Gadú entrou no palco com cocar e vestido de palha. Caetano conduziu um espetáculo aberto com seu clássico “Um Índio”.

Christiane Torloni evocou uma “florestania”, que seria a luta pelos direitos da floresta. A Amazônia, disse a atriz que também se define como ambientalista, “não é nosso almoxarifado”. Leticia Sabatella ecoou descontentamento no Circo com o presidente Jair Bolsonaro, “que não ganhou cheque em branco para destruir a natureza”.

Paula diz que o app, financiado pelo Greenpeace, facilitará a vida de quem quer se engajar em uma causa ecológica, mas não sabe como. 

A ONG é um dos parceiros na empreitada, junto com o coletivo Mídia Ninja, que atua em pautas da esquerda. A rede também aceita doações, e Paula as pediu no Circo. 

O Termômetro, um dos dispositivos do aplicativo, é um menu do ativismo verde. Você pode, por exemplo, clicar no item “salve a Amazônia” e selecionar ações para tomar. Há imagens para o usuário baixar e compartilhar em redes sociais, como uma foto do papa Francisco com o cacique Raoni e o slogan: #TodosPelaAmazônia. Dá também para copiar textos prontos sobre como a floresta é “essencial para o equilíbrio do planeta”. 

Também estão na mira do #342 projetos de lei que flexibilizam a caça de animais (os atores Bruno Gagliasso e Paolla Oliveira militam contra esse) e o uso de agrotóxicos.

O Greenpeace chega com o know-how para apontar quais as questões mais urgentes, diz Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas da ONG e responsável pelo “lobby verde” em Brasília. 

“Pode ter um projeto de lei muito ruim, como acabar com a reserva. Causa comoção, mas está no início.” O problema são tópicos menos midiáticos que perigam passar batido, como o licenciamento ambiental. Segundo Astrini, o Greenpeace é a soma de “duas coisas que o governo Bolsonaro detesta”: paz e verde. 

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