Mancha de óleo que atingiu 39 praias do Nordeste chega a Sergipe

Órgãos ambientais acreditam que material derivado do petróleo foi descartado por algum navio em alto mar

Recife

Um mês após o aparecimento de manchas de óleo em 39 praias de sete estados do Nordeste, que prejudicou pescadores e afastou turistas, o material derivado do petróleo atingiu Sergipe na manhã desta quarta-feira (25).

A praia de Ponta dos Mangues, localizada no município de Pacatuba, amanheceu coberta por piche.

A engenheira de pesca Brenda Dantas, que já atuou em projeto de monitoramento pesqueiro na região, alerta que a área atingida localiza-se nas proximidades da reserva biológica de Santa Isabel, na cidade litorânea de Pirambu.

Mancha de óleo que atingiu no início do mês 39 praias no litoral nordestino chegou a Sergipe na manhã desta quarta-feira (25).  A praia de Ponta dos Mangues, no município de Pacatuba, amanheceu com piche na areia
Mancha de óleo que atingiu no início do mês 39 praias no litoral nordestino chegou a Sergipe na manhã desta quarta-feira (25). A praia de Ponta dos Mangues, no município de Pacatuba, amanheceu com piche na areia - Brenda Dantas/Divulgação

A unidade de conservação destaca-se por ser um dos principais pontos do projeto Tamar, executado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) que atua na preservação de espécies de tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção.

“Essa região atingida situa-se onde termina a reserva biológica, que começa em Pirambu e vai até Pacatuba”, diz Brenda.

No Nordeste, apenas o estado da Bahia não foi afetado. As primeiras manchas apareceram no dia 2 de setembro. Inicialmente, os estados atingidos foram Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte e Ceará.

O ICMBio e a Marinha estão investigando o caso.

Em Pernambuco, o CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) estuda o problema desde o início de setembro, mas ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre o que ocorreu.

O diretor de controle de fontes poluidoras do órgão, Eduardo Elvino, explicou que o mais provável é que algum navio tenha liberado o material de maneira ilegal em alto mar há mais de um mês.

Ele ressaltou que, a partir de uma modelagem matemática, o departamento de oceanografia da Ufpe (Universidade Federal de Pernambuco) está tentando identificar a suposta embarcação que teria lançado o óleo.

“Analisamos o material e identificamos que se trata de um derivado de petróleo de cadeia de carbono pesada. É característico de material de combustível de navio. Esse descarte, normalmente, se faz com a utilização de empresas legalizadas”, declarou Elvino.

Na manhã desta quarta-feira (25), ele informou que o material já foi removido das praias, mas que podem aparecer algumas outras manchas esporádicas. “Os municípios já fizeram a remoção do piche.”
 
A área de georreferenciamento da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) está auxiliando a investigação com a análise de imagens de satélite.  

A dermatologista Alessandra Romiti, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que o contato de banhistas e pescadores com o óleo pode causar irritações na pele e alergias.

“Os dois principais riscos para a pele são a reação alérgica, que pode gerar coceira e vermelhidão e a formação de acnes de oclusão, ou seja, acnes geradas pelo excesso de óleo na pele, similar a quando se passa produtos oleosos demais como os protetores solares.”

Romiti destaca que se deve tomar cuidado com a região dos olhos, nariz e boca. Ela orienta que, em caso de contato com o material e eventual irritação na pele, deve-se procurar um dermatologista para o tratamento, que varia do uso de pomadas e sabonetes específicos à prescrição de remédios de ingestão oral.

Em nota, o Ibama corrobora a versão da dermatologista e acrescenta que o petróleo cru “pode conter compostos considerados cancerígenos”.

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