Descrição de chapéu Coronavírus

Raios em São Paulo diminuem com isolamento social e menos poluição

Supertempestades com milhares de raios são consequência do aumento da temperatura e da poluição

São Paulo

A diminuição da poluição em São Paulo, resultado do isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19, fez cair o número de raios que chegaram ao solo paulistano, de acordo com pesquisa do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Imagens de satélite apontaram a redução da poluição em São Paulo, Rio de Janeiro e em outras grandes regiões metropolitanas do mundo durante os períodos mais intensos de isolamento social, medida importante para evitar o crescimento dos casos da Covid-19.

Segundo Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat (grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, houve uma redução de cerca de 20% da poluição em São Paulo entre 20 de março e 2 abril.

Raio cai durante forte chuva na zona sul de São Paulo - Folhapress

Nesse espaço de tempo, os pesquisadores do Inpe documentaram mais de mil descargas elétricas na capital paulista. Desse total, só 4% chegaram ao solo em forma de raios.

Os cientistas, então, analisaram os dados do mesmo intervalo de tempo desde 2015 e observaram que entre 40% e 63% das descargas chegaram ao solo em 2015, 2016 e 2018, os anos em que documentaram tempestades com raios.

“Foi uma variação extremamente significativa”, diz Pinto Junior. Segundo ele, a relação entre poluição e raios já era conhecida. “Realmente a poluição tem um efeito importante na formação dos raios, talvez até maior do que pensemos.”

A poluição, de certa forma, ajuda na formação dos raios. Segundo o estudo, as “supertempestades" com mais de 3.000 raios, que têm ocorrido em São Paulo nos últimos anos, são consequência não somente do aumento local da temperatura como do aumento da poluição na cidade.

Para se formar um raio, são necessárias partículas de água (que se formam por núcleos de condensação, que por sua vez são influenciados pela poluição) e partículas de gelo (que se formam a partir das de água).

No interior de nuvens de tempestade, os choques de gelo geram cargas elétricas que, quando excedem a capacidade isolante do ar, originam a descarga —relâmpagos, raios e trovões, que na verdade são só o barulho provocado pelo deslocamento do ar.

Os pesquisadores também tentaram fazer análises semelhantes em outros locais, mas não houve formação de tempestades com eletricidade no Rio de Janeiro e em Campinas que possibilitassem o estudo.

A análise é importante pelo impacto dos raios, tanto econômico —com queima de maquinários— quanto sobre as vidas, diz Pinto Junior.

São Paulo é o estado brasileiro com mais mortes por descargas elétricas. Entre 2000 e 2019, foram 327, segundo outro estudo do Elat. O Brasil inteiro, no mesmo período, registrou 2.194 óbitos por raios.

De acordo com o especialista, a capital paulista concentra a maior parte das mortes por raio, apesar da urbanização e da grande concentração de prédios, automóveis e para-raios. A segunda colocada é Manaus.

O levantamento da Elat mostra que a maior parte das mortes (26%) ocorreu em áreas rurais. Em segundo lugar, vêm os óbitos relacionados a raios dentro de casa (21%) —por exemplo, mortes de pessoas que estavam ao telefone e próximas a janelas e portas.

Anualmente, o Brasil é atingido por 78 milhões de raios, o maior valor registrado no mundo, e ocupa a sétima colocação em mortos pelas descargas elétricas.

Como se proteger

Durante tempestades, deve-se evitar o uso de equipamentos ligados à rede elétrica ou ficar perto de tomadas dentro de casa. Também é aconselhável não usar o telefone com fio ou um celular que estiver conectado ao carregador. Deve-se também evitar tomar banho em chuveiro elétrico, proximidade com janelas e portas metálicas, e com torneiras e canos. Mesmo prédios com para-raios não estão protegidos de acidentes do tipo.

Em tempestades, é importante procurar abrigo (até mesmo um automóvel serve) e não ficar em áreas abertas ou próximo a corpos de água.

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