Fogo em Chapada dos Guimarães já consumiu quase 38 Ibirapueras

Região também teve incêndio de grandes proporções em 2019

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Cuiabá

Um ano após se recuperar de um dos maiores incêndios de sua história, quando teve mais de 50 mil hectares destruídos pelo fogo, o município de Chapada dos Guimarães (65 Km de Cuiabá), volta a ser devastado pelo fogo. Só na última semana, cerca de 6.000 hectares foram queimados.

O fogo, que começou no dia 19 de agosto e ainda não foi totalmente controlado, já consumiu uma área equivalente a quase 38 parques Ibirapueras dentro da APA (Área de Preservação Ambiental) estadual, que fica no entorno do Parque Nacional Chapada dos Guimarães, como uma espécie de amortecedor --o parque Nacional alcança parte da cidade de Chapada e de Cuiabá. No momento, cerca de 60 pessoas atuam no combate aos incêndios, entre bombeiros, militares do Exército, brigadistas da prefeitura do município de Chapada dos Guimarães e voluntários.

O ICV (Instituto Centro e Vida), uma Oscip de monitoramento de queimadas no estado, havia detectado fogo na área do parque nacional, mas, segundo o ICMBio, órgão federal administrador do parque, trata-se de ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF), que têm caráter preventivo e controlado pela gestão do local, e por isso não considerado área atingida por incêndio, que são dados que excluem manejos de fogo. ​

Árvore e área de mata queimada. Brigadistas voluntários registram focos de incêndio em Chapada dos Guimarães (MT). Incêndio na região começou no dia 19 de agosto.
Brigadistas voluntários registram focos de incêndio em Chapada dos Guimarães (MT). Incêndio na região começou no dia 19 de agosto - Frank Eduardo - 1.set.20/Divulgação

De acordo com a Tenente Coronel Sheila Santana, uma pequena chuva na última terça-feira (1) ajudou a amenizar o fogo na região.

“O combate indireto se mostrou efetivo na trilha Tope de Fita, pois após esse combate, foi possível confinar e controlar a cabeça do incêndio que se dirigia para o Parque Nacional. As equipes permanecem no local para monitoramento de reignições”, afirma a tenente.

Apesar disso, ainda há focos de incêndio na parte superior do parque, conhecida pelo mirante Alto do Céu e pelo Vale da Bênção, mas que estão sendo controlados.

Área devastada pelo fogo em Chapada dos Guimarães (MT)
Área devastada pelo fogo em Chapada dos Guimarães (MT) - Frank Eduardo - 1.set.20/Divulgação

Dados do Instituto Centro de Vida (ICV) apontam que 9.250 hectares já foram atingidos pelo fogo em Chapada dos Guimarães desde o início do ano: 7.681 hectares em área de proteção ambiental, sendo 4.800 hectares na última semana, 1.073 hectares no Parque Nacional e 496 hectares na estrada do parque.

Os dados são da plataforma Global Fire Emissions Database, da Nasa, a agência espacial americana, e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O coordenador de inteligência territorial do ICV, Vinícius Silgueiro, explica que é preciso alerta máximo para que o fogo não tome proporções alarmantes como ocorreu em 2019.

"As autoridades e todos nós temos que estar atentos para que isso não fuja do controle e aconteça como no ano passado, quando mais 50 mil hectares foram destruídos", lembra.

Segundo Silgueiro, apesar de o cerrado ter uma capacidade de regeneração maior que a Amazônia, por exemplo, a flora da região não aguentaria dois anos consecutivos de incêndio.

"O cerrado se adapta muito bem. Porém dois anos seguidos de incêndios em grandes proporções seriam um desastre ambiental para o parque", diz.

Segundo dados do Inpe, entre 1º e 31 de agosto de 2020 foram registrados 10.430 focos de incêndio no estado. Em agosto de 2019, o volume foi de 8.030, o que representa incremento de 29,9%.

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