Siga a folha

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…".

O peso do real

Se encontrar solução para o nó fiscal já era difícil antes da Covid, tornou-se missão vários níveis acima da competência deste governo

Continue lendo com acesso ilimitado.
Aproveite esta oferta especial:

Oferta Exclusiva

6 meses por R$ 1,90/mês

SOMENTE ESSA SEMANA

ASSINE A FOLHA

Cancele quando quiser

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 200 colunas e blogs.
Apoie o jornalismo profissional.

Até dá para brigar com a realidade, mas não indefinidamente. Com o tempo, o peso do real se impõe. Parte da elite econômica do país, particularmente os “farialimers”, acreditou que poderia juntar um presidente com sólido histórico de ignorância e intervencionismo a um ministro sem experiência no setor público e afeito a delírios de grandeza (zerar o déficit em um ano, arrecadar R$ 1 trilhão com privatizações) e que a combinação poderia dar certo. Não deu, e o mercado dá sinais de que acordou para isso.

Não foram, porém, apenas os “farialimers” que se viram arrastados para a realidade. O núcleo do governo, que passou os últimos meses sonhando com a reeleição impulsionada por uma renda mínima turbinada, vai se dando conta de que não é fácil encontrar os recursos necessários sem apelar para gambiarras fiscais e para cortes em outros programas.

Em sua mais recente tentativa, saiu-se com uma mistura particularmente esdrúxula dos dois. É claro que não vai dar certo. Se a proposta for aprovada no Congresso, o que é difícil, deve ser barrada no Judiciário. Se, por intervenção messiânica, passar pelos dois, desencadeará uma reação dos mercados, que jogarão o dólar e os juros futuros para as alturas. Os “farialimers” podem ser politicamente ingênuos, mas sabem reconhecer uma pedalada quando veem uma.

Curiosamente, quem revela uma boa leitura da realidade é Jair Bolsonaro ao demonstrar preocupação e nervosismo com o fim da ajuda emergencial. Ele sabe que não apenas sua reeleição mas a própria sobrevivência do governo dependem de assegurar renda à população.

O problema é que a pandemia deixou o país mais pobre e mais endividado. Se o desafio de encontrar uma solução para o nó fiscal já era difícil mesmo para um estadista antes da Covid-19, tornou-se agora uma missão vários níveis acima do grau de competência deste governo. A realidade tarda, mas não falha.

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas