Siga a folha

Hong Kong coloca o mundo no centro de sua ilha

Onda de protestos é um termômetro geopolítico dos bons

Continue lendo com acesso ilimitado.
Aproveite esta oferta especial:

Oferta Exclusiva

6 meses por R$ 1,90/mês

SOMENTE ESSA SEMANA

ASSINE A FOLHA

Cancele quando quiser

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 200 colunas e blogs.
Apoie o jornalismo profissional.

​Acaba ficando difícil, para qualquer cidade, impressionar mais do que Hong Kong. O skyline é tomado pelo maior número de arranha-céus do planeta, ocupados por um adensamento sem paralelo de shoppings e pela mais volumosa população de ultrarricos do mundo.

Fosse só pela localização, os protestos por lá já mereceriam atenção. Só que eles funcionam para algo maior —são um termômetro geopolítico dos bons.

Há 30 anos, completados exatamente neste mês, Pequim resolveu uma manifestação de estudantes na Praça da Paz Celestial com repressão das bravas. A China daquela época, então longe de ser potência global, pagou um custo alto pela decisão, que torrou a imagem do país.

Na China de 2019, ficou mais difícil passar com o tanque por cima de pessoas. Por isso o regime chinês lida com o problema de maneira diversa. Até aqui parece evidente o cuidado, em Pequim e em Hong Kong, de jogar para ganhar a guerra de opinião pública.

Os protestos originam-se em algo não exatamente central para a maioria das pessoas: uma lei que facilita a extradição de criminosos para lugares como a China continental. Manifestantes com guarda-chuvas, por vezes gravatas, cercaram a casa legislativa de Hong Kong sob gás de pimenta e jatos de água.

A cena embaralha a linha de análise segundo a qual o mundo equivocou-se ao acreditar que o progresso econômico empurraria o país a demandas democráticas. Xi Jinping, de fato, mostra que não é bem assim.

Pode-se argumentar que Hong Kong não é China, pois um acordo lhe concedeu alto grau de autonomia. Meia verdade: agora escolhido numa girafa democrática, o governo local resulta alinhado a Pequim. 

Com tantas digitais do governo central, vai se conhecendo a versão atualizada do DNA autoritário de um regime que só faz aumentar sua influência além das fronteiras. O centro da ilha de Hong Kong mostra um pouco do futuro do mundo.

 

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas