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Marx e Freire Gomes

Segundo relato, general ameaçou Bolsonaro de prisão; ato preservou a democracia

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Marco Antônio Freire Gomes, quando era comandante do Exército, fala com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) - Gabriela Biló - 25.ago.22/Folhapress

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Karl Marx colocou a questão e seguidores a aprofundaram. Qual é o significado das ações individuais no processo histórico? É o próprio processo histórico ou são as pessoas e suas decisões individuais que determinam a história?

Os grandes homens, os gênios, os heróis fazem a história ou a história é a manifestação de forças impessoais, moldadas pelo contexto social e cultural de uma época?

Segundo o questionamento marxista, não tivessem existido Alexandre, o Grande, Napoleão Bonaparte ou Adolf Hitler, outros indivíduos não teriam ocupado seus lugares? Não passam de meros fantoches na mão das forças históricas, que poderiam alçar um José, um João ou um Manuel para executar o mesmo enredo?

Discussões teóricas à parte, cumpre que sejam louvadas —caso o teor dos depoimentos seja confirmado por mais investigações— as condutas autorreportadas dos derradeiros chefes do Exército e da Aeronáutica do governo anterior, em especial a do primeiro, general Marco Antônio Freire Gomes, que estava à frente da mais poderosa Força Armada do país.

Ele testemunhou à Polícia Federal ter recusado participar de medidas de exceção apresentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em dezembro de 2022, cujo objetivo era claramente impedir a posse do governo àquela altura já eleito.

Seu relato foi corroborado pelo brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, também opositor declarado da trama golpista, segundo o qual o general chegou a ameaçar de prisão o então mandatário.

Considerando a conhecida belicosidade de Bolsonaro e a subordinação hierárquica, a ser respeitada por todo militar, e mesmo tendo em mente que o chefe do Exército nada mais fez do que cumprir seu dever de obedecer à Constituição, tudo indica que Freire Gomes teve coragem e papel decisivo na preservação da democracia no país.

A atuação é digna de registro em futuros livros de história. Não se pode subestimar o papel da sociedade e das instituições, que claramente rechaçam atos golpistas. Mesmo assim, sorte do Brasil contar com democratas na caserna. E azar do capitão reformado.

editoriais@grupofolha.com.br

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