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Julio Wiziack é editor do Painel S.A. e está na Folha desde 2007, cobrindo bastidores de economia e negócios. Foi repórter especial e venceu os prêmios Esso e Embratel, em 2012

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Google se une ao Bradesco contra lavagem de dinheiro

Royal Hansen, vice-presidente da big tech, diz que inteligência artificial já ajuda a reduzir riscos de ataques em sistemas financeiros no país

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São Paulo

O Google se tornou neste ano parceiro do Bradesco no combate à lavagem de dinheiro no país. E, para isso, a principal ferramenta de apoio na atividade será a inteligência artificial.

Em entrevista ao Painel S.A., Royal Hansen, vice-presidente global de engenharia em privacidade e segurança do Google, afirma que o nível de ataques cibernéticos continuará em crescimento nos próximos anos e a big tech desenvolve soluções para proteger os clientes, diminuindo os danos causados pela invasão de sistemas e roubo de informações.

O vice-presidente global de engenharia em privacidade e segurança, Royal Hansen olha para a imagem com as mãos entrelaçadas
O vice-presidente global de engenharia em privacidade e segurança do Google, Royal Hansen - Divulgação

A parceria do Google Cloud com o Bradesco teve início em junho. De acordo com a big tech, o banco foi uma das primeiras instituições financeiras do mundo a adotar as soluções de inteligência artificial para diminuir a lavagem de dinheiro.

Preocupa o avanço da inteligência artificial?
O Google utiliza inteligência artificial em diversos produtos e também para protegê-los há mais de uma década. Sabemos o que isso significa e que temos a responsabilidade de fazer isso direito. [Com ela] Queremos aprimorar, e não substituir, a criatividade humana; queremos manter a privacidade das pessoas; respeitar a propriedade intelectual; criar proteções contra "deepfakes" maliciosos; evitar conteúdo tóxico e combater a desinformação.

Qual o nível de ameaças atualmente?
Os ataques aumentaram quase 40% no mundo em 2022 e a expectativa é que sigam crescendo nos próximos anos. No Brasil, eles afetaram o setor financeiro, de saúde e público. Um exemplo são os ataques ransomware Conti do ano passado, pelos quais criminosos roubaram arquivos, criptografaram servidores e computadores e exigiram pagamento de resgate.

Recentemente, diversas instituições financeiras foram expostas em um vazamento de dados sigilosos de clientes. Os bancos estão mais frágeis ou os ataques ficaram mais sofisticados?
Comecei minha carreira em serviços financeiros e foi aí que aprendi sobre gerenciamento de riscos, inicialmente protegendo o dinheiro digital e, conforme o mundo se digitalizou, as informações.

Entrei no Google para fazer esse trabalho em grande escala. Os bancos investiram mais de US$ 3 bilhões em segurança cibernética no ano passado. O setor é o principal alvo de ataques, especialmente no Brasil, onde 79% das transações financeiras foram feitas por smartphone, em 2022.

Existe colaboração com os bancos brasileiros?
Estamos próximos do Bradesco para implementar nossa nova solução de IA Generative para melhorar a detecção de lavagem de dinheiro. Trabalhamos em estreita colaboração com bancos e outras organizações para ajudá-los a fortalecer a segurança de seus sistemas e operações por meio do Google Cloud.

Como isso funciona?
Essa solução foi anunciada globalmente em junho deste ano e se baseia em inteligência artificial, projetado para ajudar as instituições financeiras a detectarem lavagem de dinheiro. Ela utiliza tecnologia de Machine Learning (ML), bem como tecnologias do Google Cloud, como Vertex AI e BigQuery.

Proporciona uma detecção de cerca de duas a quatro vezes mais atividades suspeitas confirmadas. Além disso, elimina mais de 60% dos falsos positivos. Fornece ainda resultados auditáveis e explicáveis para apoiar o gerenciamento interno de riscos.


Raio-X | Royal Hansen

Formação: Ciência da Computação pela Universidade de Yale (EUA).

Carreira: Iniciou a carreira como desenvolvedor de software na Sapient, e ocupou a vice-presidência de instituições financeiras como o Morgan Stanley, Goldman Sachs, Fidelity Investments, American Express e Google, onde está desde 2018.

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