DE SÃO PAULO

A febre amarela voltou a chamar a atenção no início deste ano, depois que casos em macacos e humanos voltaram a ser registrados no país. O retorno da doença ocorre meses após seu maior surto no Brasil, no primeiro semestre de 2017.

Desde julho do ano passado, já foram confirmadas pelo Ministério da Saúde ocorrências e mortes nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio de Janeiro.

A seguir, entenda o que causa a febre amarela, quais são os seus sintomas e o que fazer para evitá-la. Ao final, há também perguntas e respostas sobre a vacina.


CICLOS DE TRANSMISSÃO

Crédito: Ciclos

SINTOMAS

Crédito: SINTOMAS DA FEBRE AMARELA


PREVENÇÃO

Vacinação
- Dose integral (0,5 ml): vale para a vida toda
- Dose fracionada (0,1 ml): vale por pelo menos 8 anos; será dada nas campanhas de vacinação de SP, RJ e BA
- Crianças: devem tomar a partir dos 9 meses (ou 6 meses em áreas de risco)

Crédito: Chamada animada - MUDANÇA NA RECOMENDAÇÃO DA VACINA Organização Mundial da Saúde agora considera todo o Estado de São Paulo como área de risco

Para evitar picadas
- Usar repelente (evitar os que também têm protetor solar)
- Aplicar o protetor antes do repelente
- Não usar repelentes em crianças com menos de 2 meses
- Evitar perfume em áreas de mata
- Vestir roupas compridas e claras (ou com permetrina)
- Usar mosqueteiros e telas

Controle do mosquito
- Evitar água parada e tomar os mesmos cuidados da dengue, porque há risco de a doença ser contraída pelo Aedes aegypti (o que não acontece no Brasil desde 1942)

Distância de áreas de risco
- Evitar áreas de mata com registros da doença; caso vá viajar a esses locais, tome a vacina ao menos dez dias antes


TRATAMENTO

- É apenas sintomático, com antitérmicos e analgésicos (anti-inflamatórios e salicilatos como AAS não devem ser usados)
- Hospitalização quando necessário, com reposição de líquidos e perdas sanguíneas
- Uso de tela, por exemplo, para evitar o contato do doente com mosquitos


PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual é a atual situação da febre amarela no país?
No ano passado, o Brasil registrou recorde de casos da doença, concentrados em Minas Gerais. Após uma trégua no inverno, os registros voltaram a surgir, principalmente no Sudeste. Na capital paulista, a aparição de macacos com a doença na zona norte acendeu o alerta e deu início à vacinação em parte da cidade

Onde os casos estão acontecendo?
Desde jul.2017, os casos confirmados pelo Ministério da Saúde ocorreram no Distrito Federal, Rio, em Minas Gerais e no Estado de SP

Alguém já contraiu o vírus na capital paulista?
Não, apenas macacos foram infectados na capital

Como o vírus é transmitido?
No Brasil, apenas por mosquitos que circulam exclusivamente em áreas de mata.

Qual é o papel do macaco no ciclo de transmissão?
Se for picado pelo mosquito transmissor, o macaco passa a carregar o vírus. Se esse macaco doente for picado novamente por um mosquito que ainda não carrega o vírus, vai infectar o inseto, que, por sua vez, vai continuar a transmissão.

Os macacos pegam o vírus antes do homem?
Geralmente sim, porque estão sempre em área de mata, onde está o vírus. Além disso, algumas espécies, como a dos bugios, têm menos resistência imunológica à doença do que o homem e, por isso, morrem com mais facilidade.

Quem deve se vacinar?
Pessoas que moram ou vão viajar para regiões rurais ou de mata dentro das áreas de risco, no Brasil ou no exterior –a imunização deve ser feita dez dias antes da viagem. As cidades com recomendação podem ser consultadas no site do ministério. Já a lista de postos na capital paulista pode ser vista no site da prefeitura

A OMS (Organização Mundial de Saúde) incluiu todo o Estado de SP no mapa das áreas de risco. Vou precisar de comprovação da vacina para entrar no Estado?
Não. A orientação da OMS é apenas uma recomendação de caráter preventivo, principalmente para viajantes que vão visitar SP

O que está sendo feito para bloquear o avanço da doença?
Além da vacinação de rotina em áreas previamente determinadas, o governo decidiu imunizar com dose fracionada moradores de cidades que têm áreas de mata por onde o vírus pode avançar. São mais de 70 municípios na Bahia, no Rio e no Estado de SP –inclusive parte da capital

Crédito: Pagina febre amarela carnaval mapa

Crédito: Pagina febre amarela carnaval mapa

Quais locais da capital paulista estão recebendo a vacina?
São 20 distritos. Para mais detalhes sobre onde achar a vacina na cidade de São Paulo, clique aqui

Crédito: Mapa febre amarela

O que é a vacina fracionada?
Trata-se de uma dose com um quinto do volume da imunização tradicional. A dose padrão tem 0,5 ml e a fracionada tem 0,1 ml. A segurança é a mesma da tradicional, mas a validade, a princípio, é de pelo menos oito anos, enquanto a dose completa vale para a vida toda. Até abril de 2017, o Ministério da Saúde recomendava duas doses com intervalo de dez anos, mas depois reconheceu que uma é suficiente, o que já era adotado pela OMS (Organização Mundial de Saúde)

Por que o governo decidiu usar doses fracionadas?
Para conseguir, diante de um estoque limitado, fazer uma ação rápida de vacinação. O objetivo é bloquear o avanço do vírus

Como eu sei se estou recebendo a dose integral ou fracionada?
O tipo de vacina deverá ser informado pelo agente de saúde. No caso da dose fracionada, a carteira de vacinação terá ainda um selo apontando que ela não é a padrão

Todo mundo pode tomar a dose fracionada?
Não. Por não terem sido feitos testes para públicos específicos, os seguintes grupos devem continuar a receber a dose integral: crianças de nove meses até dois anos de idade e pessoas com HIV e outras condições clínicas, como, por exemplo, doenças hematológicas. Viajantes internacionais também precisam da dose plena

Quem não deve tomar nenhuma das doses?
Crianças com menos de seis meses (e mães amamentando até essa idade) não devem tomar sob nenhuma hipótese. Na idade de seis a nove meses, apenas se houver indicação médica. A imunização é contraindicada também para pacientes imunodeprimidos por alguma doença ou tratamento, como quimioterapia, e pessoas com alergia grave a ovo

Por que a vacina não é indicada a crianças com menos de 9 meses? (6 meses no caso de áreas de risco)
Porque, quanto mais nova a criança, mais o organismo pode demorar para responder, fazendo com que o vírus circule por mais tempo. Assim, aumentam as chances de efeitos colaterais, como febre e outros sintomas associados à doença. O ideal é sempre balancear os riscos e benefícios com o pediatra e a família

Estou amamentando e tomei a vacina. Devo ficar um tempo sem amamentar?
Se o bebê tiver menos de 6 meses de idade, é recomendado parar por dez dias. Para outras idades pode-se amamentar normalmente, mesmo que o bebê tenha recebido a vacina ao mesmo tempo que a mãe

E grávidas, podem tomar a vacina?
A princípio, devem evitar, a não ser que o risco de contrair o vírus seja alto. "Se for uma gestante que mora num sítio onde um macaco morreu por febre amarela, por exemplo, vale a pena vacinar. Não é o caso, neste momento, de uma mulher que vive numa área urbana da cidade de São Paulo", diz Rosana Ritchtmann, consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). Na dúvida, deve-se consultar um médico

E quem está pensando em engravidar?
A gravidez deve ser evitada nos 30 dias posteriores à vacinação.

E os idosos?
Um médico também deve ser consultado. "Se for um idoso acamado que pouco sai do centro de São Paulo, não vale a pena. Já um que esteja bem de saúde e frequenta um local afetado pode ter indicação", diz a consultora da SBI

As crianças podem receber a vacina da febre amarela junto com outras vacinas?
Sim, exceto com a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) ou a tetra viral (contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela). Se a criança não recebeu nenhuma das três e for atualizar a vacinação, ela deve tomar a de febre amarela e agendar a tríplice ou a tetra para 30 dias depois

Já tive febre amarela, preciso me vacinar?
A infecção provoca imunidade bastante duradoura

A vacina é 100% eficiente? É segura?
A eficácia chega a 99% e ela é bastante segura. Ela pode causar reações adversas, como qualquer medicamento, mas casos graves são raros

Quais reações adversas ela pode causar?
Dores no corpo, de cabeça e febre podem afetar entre 2% e 5% dos vacinados nos primeiros dias após a vacinação e podem durar entre 5 e 10 dias

Tenho indicação para vacina, mas perdi meu cartão de vacinação e não sei se tomei a dose. O que fazer?
Procure o serviço de saúde que costuma frequentar e tente resgatar seu histórico. Caso não seja possível, a recomendação é fazer a vacinação normalmente

Tomei a dose fracionada e vou viajar para um país que exige certificado internacional de vacinação. O que fazer?
O certificado internacional não é concedido pela Anvisa a quem toma a dose fracionada. Nesses casos, o viajante terá que tomar a vacina padrão, lembrando que deve haver pelo menos 30 dias entre cada dose, por se tratar de uma vacina com vírus vivo

Quais países exigem o certificado?
Ao todo são 135 países, que podem ser consultados no site da Anvisa. Na América do Sul, fazem parte da lista Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai e Suriname

Quem foi vacinado antes da mudança de recomendação de apenas uma dose pelo Ministério da Saúde, em abril de 2017, precisa tomar a segunda dose?
Não. A vacina atual é exatamente a mesma de antes. A única mudança é que o ministério passou a aceitar o entendimento anterior da Organização Mundial da Saúde de que apenas uma dose é suficiente

Tomei a vacina antes dessa mudança e meu certificado internacional mostra a data de validade de dez anos. Preciso trocar o certificado?
Não. Por determinação da OMS, o certificado passa a ser considerado válido para o resto da vida

Quem não pode ser imunizado deve se proteger como?
Se possível, evitar áreas de mata em regiões com casos da doença. Outras recomendações são usar repelente e se proteger de picadas

Após a infecção pelo vírus, em quanto tempo a doença se manifesta?
Os sintomas iniciais aparecem de três a seis dias depois. Em casos excepcionais, até 15 dias

Quais são os sintomas?
Febre súbita, calafrios, forte dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza e vômitos. A maioria das pessoas melhora depois, mas cerca de 15% desenvolvem a forma grave da doença após um intervalo de até um dia sem sintomas. Nesses casos, pode haver icterícia –que deixa pele e olhos amarelados (daí o nome da doença)–, hemorragia e insuficiência de órgãos

Qual é a taxa de letalidade da febre amarela?
De 20% a 50% da pessoas que desenvolvem a forma grave da doença morrem, segundo o Ministério da Saúde

Como é o tratamento?
Não há tratamento específico, apenas para os sintomas. Analgésicos e antitérmicos podem ser usados para aliviar febre e dor. O ministério recomenda evitar aspirina e derivados, pois podem favorecer reações hemorrágicas. Neste ano, pela primeira vez uma paciente com hepatite fulminante causada pela doença recebeu transplante de fígado. Também está sob uso experimental um medicamento para hepatite C.

Fontes: Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, Ministério da Saúde, secretarias municipal e estadual da Saúde de SP, OMS (Organização Mundial da Saúde) e Sociedade Brasileira de Infectologia

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