Em meio à violência, RJ ainda não tem plano de segurança para o Carnaval

Crédito: Zo Guimarães - 07.jan.18/ Folhapress Blocos não oficiais fazem esquenta de Carnaval em ruas do Rio de Janeiro
Blocos não oficiais fazem esquenta de Carnaval em ruas do Rio de Janeiro

DO RIO

Os blocos de pré-Carnaval já estão nas ruas do Rio de Janeiro, mas ainda sem um plano de segurança.

A menos duas semanas do início oficial da festa e em meio a uma onda de violência na cidade, as autoridades municipais e estaduais ainda não divulgaram um plano para proteger os foliões nos blocos de rua.

Segundo a Riotur, a divulgação e a implementação do plano de segurança estão dentro do prazo de anos anteriores. A secretaria de Segurança nega atraso na montagem do esquema e diz que a divulgação será feita na próxima semana.

Foliões questionam, no entanto, o fato de não haver um planejamento antecipado e reforçado diante da violência na cidade. No último fim de semana, um tiroteio matou um garçom e levou pânico a foliões de um bloco na Tijuca, zona norte do Rio.

"Com um episódio dessa gravidade, as autoridades tinham que ter divulgado um plano de emergência já no domingo. Hoje já é terça e até agora, nada. Quem vem para o Carnaval pensa duas vezes. Tem gente cancelando viagem, patrocinador querendo pular fora. Isso numa cidade que quer vender seu Carnaval", diz Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, liga de blocos da zona sul.

O garçom Samuel Ferreira Coelho, conhecido como Samuca, 24, foi morto na noite de sábado (27), durante tiroteio entre policiais militares e criminosos que fugiam em três carros roubados na rua Conde de Bonfim. Ele atendia clientes no Bar do Pinto no momento em que foi atingido.

Dois policiais e uma passageira de um carro do aplicativo Uber também foram atingidos e levados para hospitais da região. Os criminosos fugiram.

Na hora do tiroteio, por volta das 21h15, dezenas de foliões do bloco carnavalesco Nem Muda Nem Sai de Cima passavam pelo local. Houve pânico, correria e muitas pessoas deitaram no chão para escapar dos tiros. Nenhum folião foi ferido.

No próximo fim de semana de pré-Carnaval, outros blocos desfilaram pelas ruas do Rio.

Nesta terça-feira (30), após críticas pela falta de planejamento, a Polícia Militar disse que concentra seus esforços de emprego do policiamento no período do feriado do Carnaval. "Assim como é feito no Réveillon, as férias dos policiais são suspensas e as escalas são diferenciadas, possibilitando um aumento no efetivo empregado nas ruas."

Já no período pré-carnaval, a Polícia Militar diz que faz semanalmente uma análise dos eventos para, dentro dos limites logísticos, empregar o policiamento.

"Cada batalhão emprega o seu policiamento de acordo com a demanda, levando em consideração o número de eventos previstos no dia, a expressão desses eventos, entre outras variáveis. É preciso destacar ainda, que nesse período, diversas demandas que envolvem grande público permanecem exigindo o policiamento ostensivo, como, por exemplo, os jogos do Campeonato Carioca", diz a corporação, em nota.

A Guarda Municipal do Rio disse que o planejamento operacional está pronto e será anunciado "em breve".

"A instituição já tem atuado desde o dia 13 de janeiro em apoio a blocos de carnaval com patrulhamento e controle de trânsito em diversos bairros da cidade. A divulgação tem sido feita na imprensa e nas redes sociais toda semana. No último fim de semana, foram empregados 578 guardas municipais exclusivamente nos desfiles dos blocos que aconteceram em todas as regiões da cidade. Para o próximo fim de semana, as diretorias de Operações e de Trânsito estão realizando os últimos ajustes do planejamento", disse a Guarda, em nota.

CRISE NA SEGURANÇA

Com salários atrasados e falta de dinheiro para manutenção de veículos e equipamentos para a polícia, o Rio tem sofrido com o crescimento dos índices de violência.

A crise também enfraqueceu o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), que estão passando por modificações, abrindo espaço para novas guerras entre facções de bandidos.

Ao longo de 2017, foram 134 policiais militares mortos na onda de violência que atinge o Rio de Janeiro

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