Ex-prefeito do Rio, Paes reaparece, pula Carnaval e ignora crise

Após temporada nos EUA, o agora empresário diz não poder falar sobre situação da cidade

São Paulo

Nas mãos um agogô. Sobre a cabeça, um chapéu com o azul e branco da Portela. Na legenda, "viva o Rio de Janeiro". De volta ao Brasil após temporada de um ano nos Estados Unidos, o ex-prefeito Eduardo Paes desfilou euforia nas redes sociais durante o Carnaval carioca. 

Nas páginas de Paes, a exuberância do Rio tem dividido espaço com fotografias de "companheiros chineses". Mas nada sobre a crise enfrentada pela cidade que governou. A omissão, como Paes costuma explicar, atende à exigência contratual. Por determinação da BYD Company —empresa para qual trabalha desde 2017—, o ex-prefeito só pode se manifestar sobre política se for para se defender sobre as investigações da Lava Jato.

O ex-prefeito Eduardo Paes no desfile das escolas de samba campeãs do Carnaval do Rio 2018, na Marquês de Sapucaí, sambódromo do Rio de Janeiro
O ex-prefeito Eduardo Paes no desfile das escolas de samba campeãs do Carnaval do Rio 2018, na Marquês de Sapucaí, sambódromo do Rio de Janeiro - Marcelo Fonseca - 18.fev.2018/Folhapress

A BYD Company produz carros, ônibus e trens elétricos, bem como baterias, peças de computadores e smart phones. Desde a segunda quinzena de janeiro, quando voltou ao Brasil, Paes ocupa a vice-presidência da empresa na América Latina, dedicando-se à expansão do negócio da China.

 

Sua rotina inclui intenso roteiro de viagem. Nos próximos dez dias passará pela Bolívia, Argentina, Colômbia e pelo Equador. No fim do ano, esteve no México. Uma de suas tarefas é apresentar os veículos elétricos a órgãos governamentais, a exemplo dos carros cedidos em 2017 à Prefeitura de São Paulo.

Depois de deixar a Prefeitura do Rio em dezembro de 2016, Paes foi morar em Nova York. Lá, seus dois filhos estudaram em uma das escolas mais caras do mundo, a Avenues, frequentada por filhos de celebridades e cujo custo anual é de cerca de US$ 45 mil, aproximadamente R$ 150 mil. Aos amigos, ele conta que os parentes custearam os estudos das crianças.

Seu plano era dar aula na universidade de Columbia. Mas o ex-prefeito foi obrigado a desistir do projeto. Em mensagem enviada à Universidade, Paes atribuiu a desistência à turbulência política brasileira. A interlocutores, ele disse temer repercussão negativa do fato de a Prefeitura do Rio ter assinado convênios com a universidade durante sua gestão.

Em junho, Paes mudou-se para Washington, onde matriculou seus filhos em uma escola pública. Até o fim do ano passado, ele conciliou dois empregos: um na BYD e outro no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Em dezembro, passou a trabalhar apenas na empresa chinesa. Segundo seus aliados, sua intenção é reservar energia para retomada das atividades políticas.

Balanço

Nas redes sociais, Paes fez um balanço. "Depois de oito anos na Prefeitura em um ritmo acelerado (o que jamais me incomodou), tive a super oportunidade de passar um período nos EUA. Do lado pessoal, acho que pela 1ª vez desde que meus filhos nasceram tive a chance de conviver mais com eles e com a Cris.", publicou ele, chamando de inesquecível "a oportunidade também de estar em uma cultura diferente".

"Passei um breve período em Nova York e um período mais longo em Washington (parece que a política me atrai)", acrescentou.

Na postagem de despedida do BID, Paes listou experiências administrativas.

"Em um ano de especial desafio para a política e para os políticos brasileiros, pude conversar e discutir sobre os mais variados temas com pessoas incríveis. Pude viver minha primeira experiência na vida privada (com o que seguirei na volta ao Rio). Aliás, bom poder não depender de cargo público para pagar as contas", publicou.

Segundo aliados, Paes definirá nos próximos 15 dias a qual partido se filiará após deixar o MDB. Ele decidirá também se deixa a vida privada para concorrer ao governo do Rio.

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