Dois são mortos a tiros em reduto boêmio no Rio

Testemunhas disseram que houve correria e pessoas se jogando no chão para se proteger

Duas pessoas morreram e uma ferida a tiros em reduto boêmio no bairro de Laranjeiras, no Rio
Duas pessoas morreram e uma ferida a tiros em reduto boêmio no bairro de Laranjeiras, no Rio - Globo/Reprodução
Martha Alves
São Paulo

Duas pessoas foram mortas a tiros na praça São Salvador, reduto boêmio no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, por volta das 23h30 desta quarta-feira (7).

Testemunhas disseram à Polícia Militar que ocupantes em uma moto passaram atirando contra as pessoas na praça. Após o crime, fugiram.

Duas pessoas morreram no local e ao menos uma ferida foi levada a um hospital da região. A PM não soube informar o nome das vítimas.

Nas redes sociais, internautas postaram mensagens dizendo que ouviram muitos tiros, correria e pessoas se jogando no chão para se proteger. Segundo a PM, a praça costuma ficar lotada todos os dias por jovens. 

A internauta Veronica Medeiros relatou no Facebook que estava sentada em um bar com uma amiga quando viu um clarão e o barulho dos tiros que pareciam de metralhadora.

As duas se jogaram no chão e, após os tiros cessarem, se abrigaram no banheiro do bar. Ao sair do local, elas encontraram dois mortos, um deles a menos de cinco passos do local onde estavam sentadas e o outro no meio da rua.

" Isso não é lugar pra se viver...não tenho vontade de estar aqui", escreveu Veronica.

Nos comentários da postagem de Verônica, a internauta Júlia Requião escreveu que estava do outro lado da praça e, ao ouvir o barulho dos tiros, pensou que fossem fogos de artifício devido a um jogo de futebol. 

"No vigésimo tiro já achei suspeito, todo mundo correndo, gente largando bolsa no meio da rua, nunca tinha passado por isso", disse Júlia.


CRISE

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado. 

Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.

A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente neste ano, 16 PMs foram assassinados no estado --foram 134 em 2017.

Policiais, porém, também estão matando mais. Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.

Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu –estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou.

Com a escalada nos índices de violência, o presidente Michel Temer decretou a intervenção federal na segurança pública do estado, medida que conta com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão (MDB).

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