Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Em sua primeira aparição pública após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes o interventor na segurança pública do Rio, general Walter Souza Braga Netto, evitou a imprensa e não deu declarações sobre o assunto.

Ele participou na manhã deste sábado (17) de ação social promovida pelas Forças Armadas em parceria com o governo estadual e a prefeitura do Rio na Vila Kennedy, foco principal da atuação do Exército após o início da intervenção.

Braga Netto se reuniu por cerca de uma hora com o secretário estadual da Casa Civil, Christino Áureo, com o comandante da Polícia Militar, coronel Luiz Claudio Laviano, e com representantes da prefeitura.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), esteve na Vila Kennedy, mas não participou da reunião. Ele recebeu Braga Netto na escola municipal onde ocorreu o encontro mas seguiu logo depois para a praça Miami, na entrada do bairro, para entregar tendas a comerciantes que tiveram seus quiosques confiscados pela prefeitura durante operação conjunta na semana passada.

Na saída da reunião, Braga Netto foi abordado pela imprensa, mas disse que não falaria. Andou por dois quarteirões até seu carro acompanhado por seguranças que tentavam impedir fotografias e aproximação dos repórteres. 

Em sua única declaração sobre o caso, em nota oficial divulgada na quinta (15), o interventor afirmou que repudia ações criminosas como a que vitimou Marielle e Anderson e que acompanha o caso com a Secretaria de Segurança do Rio.

Neste sábado, o porta-voz do Comando Militar do Leste, Carlos Cinelli, limitou-se a dizer que o crime premeditado contra Marielle e Anderson está sendo analisado pelo comando conjunto que gere a área de segurança do Rio.

A ação social na Vila Kennedy teve o objetivo de aproximar as forças da população e ofereceu serviços como emissão de documentos, atendimento médico e jurídico e vacinação contra febre amarela.

“O apoio da população é fundamental. É lógico que é desagradável ter a presença das Forças Armadas na sua comunidade, mas estamos aqui para proteger a população”, disse o coronel Cinelli.

Desde o início da manhã, eram grandes as filas de moradores em frente à escola onde eram oferecidos os serviços. 

“Estou há um tempão para incluir meu nome de casada nos documentos, mas nunca consigo”, comentou a auxiliar de serviços gerais Denise Cristina Gomes, 37, que levou também o filho para tirar a carteira de identidade.

Ela diz temer, porém, que a atenção das autoridades com a região seja apenas temporária. “Tinha que ser para sempre”, afirma Denise, que apoia a presença das Forças Armadas na Vila Kennedy.

“É só maquiagem” concorda Dayanne Cristine Moreira da Silva, 33, uma das comerciantes que perdeu o quiosque na semana passada. Neste sábado, Dayanne recebeu uma tenda da prefeitura e a licença para trabalhar na praça.

Um novo quiosque, porém, só deve vir em seis meses, segundo ela. “Tenho três filhos, não dá para ficar seis meses sem trabalhar”, disse ela, que improvisou um balcão de madeira para vender seus produtos. Dayanne também elogiou a presença do Exército. “Antes, era tiro toda hora, a gente arriscava a vida trabalhando aqui.”

Em nota, a prefeitura do Rio disse que pretende entregar em até 45 dias todos os novos quiosques aos comerciantes da praça.  Os comerciantes receberão geladeiras doadas pela companhia de energia Light.

ROCINHA

Na tarde deste sábado (17), um confronto entre policiais e criminosos na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio, provocou o fechamento de vias na região por quase uma hora. 

A PM avisou em seu perfil no Twitter que os túneis Zuzu Angel e Acústico tinham sido interditados nos dois sentidos e recomendou que a área fosse evitada.

Às 16h22, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio comunicou que os túneis e a estrada Lagoa-Barra, que também havia sido interditada no sentido Gávea, estavam totalmente liberados.

Colaborou o UOL

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