Motorista de Marielle fazia bico e iniciaria curso para mecânico de avião

Anderson, 39, foi alvejado e morto por balas direcionada a vereadora do Rio

Luiza Franco Marco Aurélio Canônico
Rio de Janeiro

Na noite de quarta (14), quando fazia um bico substituindo um amigo motorista de licença médica, Anderson Pedro Gomes, 39, foi alvejado e morto por balas que não o tinham como alvo. Era ele quem conduzia a vereadora Marielle Franco, 38, quando ela foi assassinada.

O carro em que estavam acabara de percorrer um trajeto de 4 km entre a Lapa, no centro do Rio, e o Estácio, na zona norte, quando foi atingido por nove tiros. A vereadora, que estava sentada no lado direito do banco traseiro, levou quatro tiros de pistola na cabeça. Anderson foi baleado três vezes nas costas ele estava na linha de tiro dela.

Anderson Gomes, motorista da vereadora Marielle Franco, ao lado da mulher e filho recém nascido, em junho de 2016
Anderson Gomes, motorista da vereadora Marielle Franco, ao lado da mulher e filho recém nascido, em junho de 2016 - Reprodução

Foi o acaso que o colocou ali. Desempregado, começaria um período de teste como mecânico de uma empresa de aviação nas próximas semanas, de acordo com o irmão de Anderson, Francisco, 35.

Esta, diz Francisco, era a última semana de Anderson com a vereadora. "Mesmo com idade avançada, ele estava prestes a ter uma profissão. Estava todo feliz", diz Francisco, que é engenheiro de manutenção de uma loja.

Quando foi morto, prestava serviço particular a Marielle, mas também trabalhava como motorista da Uber.

Não tinha ensino superior, mas fez curso de mecânico. Chegou a trabalhar na profissão, mas apenas em estágios. A oportunidade que surgira na empresa de aviação era a sua primeira.

Começou a vida profissional trabalhando em um bar. Depois, trabalhou em hotéis. Fez o curso de mecânico, mas como não conseguiu emprego na área, virou motorista.

Nascido e criado na favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão, mais tarde se mudou para Inhaúma, bairro da zona norte onde foi enterrado. 

Casado havia cerca de quatro anos com Agatha Arnaus, assistente-executiva na área de educação do governo do Rio, tinha um filho de dois anos. O casal morava em um bairro de classe média e baixa da zona norte.

Sua família era de Campina Grande (PB). Os pais foram para o Rio ainda jovens em busca de emprego. O pai, que já morreu, era torneiro mecânico. A mãe, dona de casa. Além de Anderson e Francisco, tiveram duas filhas. Segundo Francisco, a família é grande e unida.

"Ainda não caiu a ficha. Ainda acho que ele vai aparecer no churrasco no sábado", diz ele.

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