Advogado de 24 anos morto em arrastão sonhava em ser delegado

Felipe Fuschi Amaro foi baleado nesta quinta durante assalto a ônibus em SP

São Paulo | UOL

​O advogado Felipe Fuschi Amaro, 24, estava radiante e cheio de planos: com o registro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em mãos havia menos de um mês, começaria a trabalhar na semana que vem em um escritório de advocacia e já se organizava para abrir o seu o quanto antes.

Os sonhos foram interrompidos na tarde desta quinta-feira (19), em um arrastão ao ônibus em que Amaro estava: além dele, morreram o policial militar Elton Ricardo Cunha, que teria reagido ao assalto, e um suspeito de envolvimento com o crime, Damião Barbosa Sousa. 

Um outro suspeito, identificado como Rafael Teléforo Barbosa, ​foi preso nesta sexta-feira (20) após ser identificado por câmeras de segurança. Ele confessou participação no crime e foi identificado pelas vítimas, segundo a Polícia Civil. Dois suspeitos detidos na quinta foram ouvidos e liberados. 

 
Felipe Fuschi Amaro, advogado morto em assalto no Jabaquara
Felipe Fuschi Amaro, advogado morto em assalto no Jabaquara - Reprodução/Facebook

A descrição sobre o jovem advogado foi dada pela prima, Juliana Fuschi Fidêncio, 35. A mãe, Erika Fuschi, está em choque. A reportagem falou com ambas no momento em que olhavam o álbum de formatura de Amaro, que acabou de chegar.

Ele se formou em direito pela FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) no fim do primeiro semestre do ano passado. Emocionada, Erika preferiu que a sobrinha descrevesse seu filho.

Além dos planos profissionais, o advogado, torcedor fanático do Corinthians, deixou mulher e uma filha de nove meses. A família vivia em Diadema, na Grande São Paulo.

"Eu soube do que havia ocorrido já perto da meia-noite. Minha mãe e minha tia, mãe do Felipe, souberam umas 22h. É uma tragédia o que aconteceu", lamentou Juliana.

"Ele estava superfeliz porque havia acabado de se formar e passado na prova da OAB; pegou a carteirinha dele [da Ordem] não tem nem um mês. Ele havia feito um estágio na Prefeitura de São Paulo e começaria semana que vem em um escritório de advocacia. Já havia comprado até a roupa para o trabalho novo. Ele queria abrir o próprio escritório e estudava para se aprofundar em direito tributário", relatou. "Mas o maior sonho, mesmo, era ser delegado", completou.

De acordo com a prima de Amaro, ele "nunca andava de ônibus, não gostava". "Ele vendeu o carro dele e usava o carro da mãe quando precisava. Ontem, saiu para comprar algo e ninguém entende por que ele foi de ônibus", disse.

Assalto em ônibus termina em tiroteio e duas pessoas mortas no Jabaquara
Assalto em ônibus termina em tiroteio e duas pessoas mortas no Jabaquara - TV Globo/ Reprodução

O que fica do primo? "Fica o exemplo de um sujeito muito determinado, estudioso, que lutou demais para conseguir viver e que agora começaria a colher os frutos dele de tanto estudo. Não é apenas mais um número da violência", definiu.

Nas redes sociais, colegas de formatura também homenagearam Amaro —a quem se referiram como "doutor Felipe Fuschi Amaro".

"Sim, doutor, esse era o seu sonho, menino dedicado aos estudos, alegre, esforçado, papai de uma linda menina, filho exemplar, Uber pós faculdade pra juntar uma grana, adquiriu recentemente a tão sonhada OAB, realizou com êxito a sua primeira audiência trabalhista... enfim, um cara muito dedicado. Não temos palavras pra descrever a nossa revolta e tristeza perante esta tragédia... você não merecia partir assim tão jovem e tão cheio de vida", escreveu uma amiga.

Amaro será sepultado nesta sexta-feira (20) no cemitério Vale da Paz, em Diadema.

"OREI POR ELE"

A reportagem falou também com uma mulher que disse ter visto o advogado, já baleado no peito e prestes a sofrer uma parada respiratória, no local do crime. Ele chegou a ser levado para um hospital, mas não resistiu. Alegando medo, ela pediu para não ser identificada.

"Sempre tem assalto nessa região. Ontem, eu estava no ponto de ônibus e corri na hora do tiroteio, entrei em um salão de beleza. Assim que acalmou, voltei, e vi que tinha alguém no chão praticamente sem vida", contou.

Ela afirmou ter procurado o nome da vítima e encontrado, pelas notícias, que se tratava do advogado. "Esse rapaz estava no chão praticamente tendo uma parada respiratória por conta do tiro no peito. Orei por ele e vi ali um sonho interrompido", concluiu.

O CRIME

O arrastão foi registrado na av. Engenheiro Armando de Arruda Pereira, próximo à divisa entre São Paulo e Diadema, no ônibus da EMTU fazia a linha Jabaquara/Ferrazópolis. O veículo parte do Terminal Jabaquara, na zona sul.

Segundo as informações da Polícia Militar, três suspeitos iniciaram o arrastão dentro do veículo. Um dos passageiros, o policial militar de folga Elton Ricardo Cunha, reagiu e acabou baleado cinco vezes —na cabeça, nas mãos e no abdômen. Ele morreu.

Na troca de tiros, um dos homens envolvidos no arrastão e com passagem por roubo foi baleado e morreu no local. O advogado foi baleado no peito e chegou a ser socorrido ao hospital, onde morreu.

Outras duas passageiras foram atingidas pelos disparos e seguiam internadas, à tarde, sem gravidade.
 

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