Entenda a ruptura do viaduto e saiba como driblar o bloqueio da marginal de SP

Estrutura cedeu na última quinta e interditou trecho da pista expressa da marginal Pinheiros

São Paulo

Um viaduto cedeu na última quinta-feira (15) em São Paulo, na marginal Pinheiros, bloqueia a pista expressa da via e provoca uma série de alterações no trânsito da capital paulista. Ainda não se sabe o motivo do rompimento da estrutura, e a prefeitura não sabe nem como fará a restauração do viaduto.

Parte das interdições iniciais na marginal já foram liberadas, e a gestão Bruno Covas (PSDB) instalou um comitê de crise para avaliar a segurança e estabilidade das pontes e viadutos no restante da cidade.

Entenda o que houve e saiba como driblar o bloqueio da marginal a partir desta quarta-feira (21), quando a cidade volta à sua rotina normal após seis dias de feriado prolongado.

O que aconteceu? Um viaduto da pista expressa da marginal Pinheiros, a 500 m da ponte do Jaguaré, no sentido Castello Branco, cedeu na madrugada do dia 15, no início do feriado prolongado da Proclamação da República. Alguns carros que passavam pelo local foram danificados, mas ninguém ficou gravemente ferido. A pista foi bloqueada.

Qual é o trecho interditado e quais pistas já foram liberadas? Toda a pista local da marginal Pinheiros está liberada. Inicialmente, o trânsito estava impedido na pista expressa desde o viaduto que cedeu até a ponte Transamérica, no sentido Castello Branco. 

Nesta segunda-feira (19), porém, a prefeitura liberou a maior parte da pista expressa, em dois trechos de 5 km cada um. Trecho 1: da ponte João Dias até o acesso da pista expressa à local sob a ponte Octavio Frias de Oliveira (Estaiada); Trecho 2: da saída da ponte Octavio Frias de Oliveira (Estaiada) até antes da transposição (passagem da pista expressa para a local) da ponte Eusébio Matoso. 

A expectativa é a de que mais trechos sejam liberados nos próximos dias.

Como fica o trânsito? As interdições na pista expressa afetam não só o fluxo de veículos na pista local, como também o trânsito das principais vias das zonas sul e oeste da cidade, que servirão de alternativa de circulação. A recomendação é, para quem puder, evitar trafegar por aquele trecho. Se for inevitável, prefira deixar o carro em casa: a região é abastecida por trem (linha 9-esmeralda da CPTM) e metrô (linha 4-amarela e 5-lilás), além de ônibus. Além disso, a prefeitura negocia com aplicativos de transporte aumentar a oferta na área.

Quais as alternativas de trânsito? A pista local da marginal está toda liberada, inclusive ao lado do viaduto que rompeu.

A CET criou rotas para orientar motoristas que partem da zona sul da cidade. Os motoristas oriundos da rodovia dos Imigrantes, por exemplo, podem seguir pela av. Presidente Tancredo Neves, acessar a av. Luiz Ignácio  de Anhaia Melo e subir pela av. Salim Farah Maluf até chegar à marginal Tietê, de onde acessam outras rodovias do estado. Outra opção é ir pela avenida do Estado até a marginal Tietê junto à ponte das Bandeiras, em direção à rodovia Castello Branco.

Quem tem como origem a rodovia Anchieta e vai em direção à Castello Branco pode acessar a avenida das Juntas Provisórias e seguir pela avenida do Estado ou pela avenida Luiz Ignácio de Anhaia Melo.

Para os que saem dos bairros do extremo sul da cidade em direção ao centro podem seguir pelas avenidas Interlagos, Washington Luís, Moreira Guimarães, Rubem Berta, 23 de Maio, túnel Anhangabaú e Prestes Maia. Se o sentido for Santo Amaro, a opção é ir pela av. Senador Teotônio Vilela, Atlântica, largo do Socorro e av. Washington Luís.

​​Como fica o rodízio de carros? O rodízio está suspenso nesta terça-feira (20) por causa do feriado. A partir de quarta (21), a circulação de veículos está liberada apenas na marginal entre a avenida dos Bandeirantes e a ponte dos Remédios, e assim ficará até a liberação total da marginal.

O viaduto pode desabar? Segundo a prefeitura, não. No dia seguinte à ruptura, a prefeitura afirmou que o viaduto tinha risco de colapso e preparou um esquema emergencial de trânsito, prevendo transtornos que se prolongariam por meses, e interrompeu a circulação de trens. No domingo (18), a gestão Covas concluiu as obras de escoramento e informou que a estrutura, que chegou a se movimentar, havia se estabilizado. Os trens voltaram a circular normalmente.

Por que o viaduto cedeu? Ainda não se sabe o motivo da ruptura. A prefeitura não tem o projeto original da estrutura, projetada e construída na década de 1970 por meio de um convênio com a Fepasa (empresa que administrava as ferrovias do estado).

Segundo o secretário municipal de Obras, Vitor Aly, o documento pode ter se perdido em um incêndio na companhia. Para obter mais informações sobre a estrutura do viaduto, a prefeitura buscou até a viúva do engenheiro Walter de Almeida Braga (1930-2016), que projetou a estrutura.

A viúva, porém, disse que se desfez do acervo do marido. A alternativa é buscar no acervo da CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços), depositária desses documentos, e do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), que fiscalizou as obras. 

Que obras serão feitas e qual o cronograma? A prefeitura pretende construir dez estacas de ferro na base de sustentação do viaduto para içá-lo com macacos hidráulicos em um método chamado de macaqueamento. Ainda não há um cronograma para isso.

Além disso, uma série de obras estão sendo feitas para ampliar os acessos entre a pista local e a expressa, para evitar o chamado “efeito funil”. São elas:

1. viaduto Lazlo Braun (próximo ao CDP de Pinheiros): alargamento do acesso junto ao viaduto, remoção do canteiro central e ampliação de uma para três faixas de rolamento, que permitirá o acesso à Castello Branco;

2. ponte Edson de Godoy Bueno (antiga ponte Itapaiuna): construção de acesso à pista expressa (hoje, a ponte termina direto na pista local);

3. na altura do Shopping Villa Lobos: alargamento do acesso da pista expressa para a pista local;

4. após a ponte Cidade Universitária: construção de acesso da pista expressa para a pista local;

5. em frente ao parque Villa Lobos: remoção do estreitamento de pista e da lombada eletrônica nos dois sentidos da avenida, para viabilizar três faixas de rolamento por sentido em frente ao parque;

6. av. Antônio Batuíra com Praça Panamericana: adequação para melhorar o acesso dos veículos à praça;

7. r. Banibas com av. Pedroso de Morais (próximo à Praça Panamericana): adequação para melhorar o desvio de tráfego.

O transporte público foi afetado? A circulação de trens da CPTM havia sido suspensa, mas voltou a ser liberada no domingo, em velocidade reduzida: limitada a 20 km/h (normalmente, a velocidade média é de 60 km/h). A oferta de ônibus pode crescer se houver demanda para isso, segundo a prefeitura.

Qual a situação de outras pontes e viadutos da cidade? A prefeitura é alvo de cobranças pelo Ministério Público para reformar pontes e viadutos há anos. Na segunda-feira, o prefeito Bruno Covas informou que pedirá autorização ao TCM (Tribunal de Contas do Município) para abrir um contrato emergencial para a realização de laudos de engenharia para fazer a manutenção de 185 pontes em viadutos da cidade.

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