Polícia de Goiás recebe novas denúncias e monta força-tarefa para caso João de Deus

Médium tem sido alvo de denúncias de abuso sexual; ele nega as acusações

Daniel Carvalho
Brasília

A Polícia Civil de Goiás vai montar nesta segunda-feira (10) uma força-tarefa para investigar as acusações de abuso sexual supostamente praticado pelo médium João de Deus

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do estado, André Fernandes, a delegacia especializada em investigações apurava uma denúncia recebida há 45 dias, mas, somente no fim de semana, houve 25 novos relatos. As vítimas começarão a ser ouvidas em Goiânia nesta semana.

"Quando da veiculação do programa, o número de vítimas aumentou. Estamos calculando 25 pessoas. Estamos fazendo uma reunião hoje [segunda-feira] com a inteligência e vários delegados, fazendo uma força-tarefa para agilizar a conclusão deste caso", disse o delegado à Folha.

Fernandes afirmou ainda que algumas investigações foram desenvolvidas no passado pela Polícia Civil e remetidas à Justiça. O Ministério Público de Goiás já havia informado sobre investigações anteriores. Promotores se reuniram no início desta manhã em Goiânia para levantar as apurações antigas e verificar como foram concluídas.

A Promotoria também organizou uma força-tarefa e pretende ouvir as vítimas a partir desta segunda-feira.
No sábado (8), 13 mulheres relataram ao jornal O Globo e ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, terem sido abusadas sexualmente pelo médium João Teixeira de Faria, 76, conhecido como João de Deus, que mantém a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, no interior de Goiás.

Uma delas, a holandesa Zahira Lieneke Mous, contou que conheceu a casa em Abadiânia em 2014, quando buscava a cura para o trauma de ter sofrido abusos sexuais no passado. Após pesquisas, sentiu-se à vontade para ir sozinha ao local.

Na segunda visita à casa, foi informada que teria uma consulta particular com o médium em um escritório que fica dentro da casa. Ao chegar no escritório, o médium pediu para que ela ficasse de costas, conduzindo-a para um banheiro. Depois, ele teria colocado as mãos dela no pênis dele e fez com que elas se movimentassem. 

Além do relato de Zahira, outras denúncias também têm sido divulgadas. 

OUTRO LADO

Em nota enviada ao "Conversa com Bial", a assessoria de imprensa do médium afirmou o seguinte: "Há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais. Apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem, ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos".

Ao jornal O Globo, a assessoria disse que as acusações são "falsas e fantasiosas" e questiona o motivo pelo qual as vítimas não procuraram as autoridades. Ainda afirma que a situação é "lamentável, uma vez que o Médium João é uma pessoa de índole ilibada".

Folha tentou contato com a assessoria do médium, mas até o momento não recebeu resposta. 

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