Bandidos invadem terreiro, roubam celulares e agridem babalorixá na Bahia

Homens armados insultaram adeptos do candomblé, associando a religião a demônios

João Pedro Pitombo
Salvador

​Um grupo de seis homens armados invadiu um terreiro de candomblé em meio a uma cerimônia religiosa, roubou os pertences das pessoas que estavam no local e agrediu o babalorixá Rychelmy Esutobi.

O caso aconteceu na noite deste sábado (12) no terreiro Iê Axé Ojisé Olodumare, na vila de Barra do Pojuca, em Camaçari (40 km de Salvador).

Os adeptos do candomblé estavam reunidos numa cerimônia de saudação a Oxalá, quando foram surpreendidos pela chegada dos homens armados.

Cerimônia de candomblé - Alex Almeida/Folhapress

Segundo os integrantes do terreiro, os assaltantes fizeram com que todos deitassem no chão. Pessoas que estavam incorporadas pelos orixás foram sacudidas e revistadas.

Além do babalorixá, um outro homem foi agredido com coronhadas na cabeça. Ambos foram atendidos em hospitais da região e passam bem.

Os bandidos roubaram telefones celulares e um carro, além de instrumentos de culto considerados sagrados no candomblé. Também agrediram verbalmente os adeptos, associando a religião a demônios.

“É um momento de muita dor e reflexão. A gente ver o nosso sagrado ser profanado e ser agredido nos dói muito, mas também nos fortalece”, afirmou o babalorixá Rychelmy em um vídeo postado em uma rede social.

Em nota, o terreiro lamentou o episódio de violência e intolerância religiosa e afirmou que irá tomar as medidas cabíveis para que episódios como este não voltem a ocorrer.

“Hoje somos alvo da violência que assola toda a nossa sociedade, acrescida da violência religiosa. Apesar de todo ocorrido estamos bem e continuaremos contritos em nossa fé conforme nossos antepassados nos ensinaram”, afirma a nota.

A Polícia Civil irá investigar o caso, que também será denunciado ao Ministério Público e ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa.

Segundo dados da secretaria estadual de Promoção da Igualdade Racial, foram registrados nos últimos seis anos 153 casos de intolerância religiosa na Bahia, incluindo 16 ataques a terreiros de candomblé.

Levantamento da Folha mostrou que os registros de crimes relacionados à intolerância no estado de São Paulo atingiram um pico durante as eleições de 2018. Em agosto, setembro e outubro, meses de campanha, foram 16 casos por dia, em média, o que representa mais do que o triplo dos 4,7 registros diários ao longo do primeiro semestre. 

De janeiro a novembro, 2018 teve praticamente o dobro das ocorrências do ano anterior: foram 3.191, quase dez por dia. No mesmo período de 2017 foram 1.607, cerca de 5 por dia.

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