Médico é suspeito de abuso sexual de pacientes em Presidente Prudente

Pelo menos 29 mulheres acusam cardiologista de assédio durante exames clínicos

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Registro de Augusto César Barreto Filho no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) consta como "ativo" - Foto: Reprodução
Estelita Hass Carazzai
Curitiba

Um médico cardiologista de 74 anos foi denunciado nesta semana sob acusação de assediar sexualmente uma paciente, em seu consultório em Presidente Prudente (SP) —e pelo menos outras 28 mulheres procuraram a polícia para relatar episódios semelhantes.

Até agora, 29 depoimentos foram colhidos pela Delegacia da Mulher, segundo a delegada Adriana Pavarina. Apenas nesta quinta (17), três mulheres haviam prestado depoimento, e outras 11 ligaram para a delegacia.

Os relatos são semelhantes: as mulheres acusam o cardiologista Augusto Cesar Barretto Filho de assediá-las durante os exames clínicos. 


Algumas afirmam terem sido tocadas nos seios e na região íntima enquanto estavam deitadas na maca. Outras relatam que o médico esfregou o pênis ereto em suas mãos e braços. Há pelo menos um caso em que o médico teria se masturbado, enquanto a paciente estava de costas.

No caso denunciado pelo Ministério Público, ocorrido em julho de 2018, a paciente afirma ter sido tocada na região íntima enquanto estava sendo examinada, além de ser obrigada a encostar no órgão genital do cardiologista. Ela disse ter ficado em choque, sem reação, mas chorou e pediu para que ele parasse.

“São mais de 30 mulheres descrevendo o mesmo comportamento. Por indução, se conclui que estão falando a verdade, até porque uma não conhece a outra”, afirmou a delegada Pavarina à Folha. “[Do contrário], seriam 30 mulheres falando a mesma coisa, de maneira falsa? Isso é juridicamente impossível de se acontecer.”

Os casos mais antigos ocorreram até 25 anos atrás. Segundo a delegada, a maioria prescreveu, mas eles foram juntados ao inquérito como elementos de prova. 
 

Os episódios, segundo Pavarina, caracterizam atos libidinosos sem conjunção carnal. A polícia, porém, ainda avalia se alguns casos se enquadram na hipótese de estupro de vulnerável, quando são cometidos atos libidinosos com alguém que, por enfermidade, não tem discernimento nem pode oferecer resistência.

Na ação apresentada à Justiça, Barretto Filho foi denunciado sob acusação de violação sexual mediante fraude, cuja pena é de dois a seis anos de reclusão. O Ministério Público ainda pediu a prisão preventiva do médico —mas não houve decisão a respeito. O processo corre em segredo de Justiça.

O cardiologista também é alvo de uma sindicância do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), sob suspeita de assédio. Ela foi instaurada em julho do ano passado e continua em andamento.
A defesa de Barretto Filho não se manifestou, por não ter sido intimada oficialmente pela Justiça. 

Em depoimento à polícia, o médico permaneceu em silêncio. No Cremesp, um pedido de sua defesa para que seu registro profissional fosse cancelado foi negado pelo órgão, já que ele ainda responde à sindicância. Cancelar o registro anularia eventuais punições ao médico. 

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