Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Investigados por tragédia em Brumadinho se entregam à polícia em MG

Os 13 funcionários da Vale e da Tüv Süd já haviam sido presos e foram liberados pelo STJ

Fernanda Canofre
Belo Horizonte

Treze investigados por envolvimento no rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, se entregaram na Delegacia Especializada de Crimes contra o Meio Ambiente, em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (14).

Onze deles são funcionários da Vale e dois da Tüv Süd, empresa alemã responsável por atestar a segurança da barragem. A tragédia ocorrida no dia 25 de janeiro deixou 203 mortos e 105 desaparecidos até o momento, segundo a Defesa Civil de Minas Gerais.

De acordo com a Polícia Civil, os homens devem ser encaminhados à penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na grande BH, e as mulheres ao Complexo Penitenciário Estevão Pinto, na capital. As mesmas unidades para onde foram levados na primeira prisão.

Na quarta-feira (13), a 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou habeas corpus aos 13 investigados por unanimidade. Ainda cabe recurso em tribunais superiores.

Os investigados foram presos anteriormente no decorrer da investigação, mas foram soltos por liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No dia 29 de janeiro, foram presos três funcionários da Vale e dois da empresa alemã, que conseguiram liberdade no dia 5 de fevereiro. No dia 15 de fevereiro, a investigação prendeu oito funcionários da mineradora, que saíram no dia 27.

Para o relator do processo, desembargador Marcílio Eustáquio Santos, a prisão dos investigados é necessária para apurar se houve omissão no acionamento do plano de ações emergenciais previsto para a barragem.

No voto, ele afirma ainda que ficou demonstrado que a “prisão temporária é necessária ao bom andamento do inquérito policial no qual, frisa-se, apura delito de elevada gravidade concreta”.

Duas das investigadas, as funcionárias da Vale Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo e Cristina Heloiza da Silva Malheiros, pediram para cumprir prisão domiciliar por terem filhos menores de 12 anos, mas o pedido foi negado.

Os treze investigados que se entregaram são:

- Joaquim Pedro de Toledo (segundo a Promotoria, gerente-executivo operacional da Vale, que gerenciava a equipe responsável pelo monitoramento da barragem que se rompeu; qualquer anomalia era comunicada a ele)

- Artur Bastos Ribeiro (subordinado de Toledo, participou de troca de emails em que se discutiu anomalia nas medições de pizômetros, aparelhos que medem pressão da água, da barragem)

- Cristina Heloiza da Silva Malheiros (subordinada de Toledo, responsável pelo monitoramento in loco da barragem)

- Renzo Albieri Guimarães Carvalho (subordinado de Toledo, deveria lhe repassar informações relevantes da barragem, segundo a Promotoria)

- Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo (gerente de Gestão de Riscos e de Estruturas Geotécnicas Ferrosos)

- Alexandre de Paula Campanha (gerente-executivo de Gestão de Riscos e de Estruturas Geotécnicas Ferrosos)

- Hélio Márcio Lopes de Cerqueira (engenheiro da Gerência de Gestão de Riscos e de Estruturas Geotécnicas Ferrosos)

- Felipe Figueiredo Rocha (da gerência Gestão de Riscos e de Estruturas Geotécnicas Ferrosos)

- César Augusto Paulino Grandchamp (geólogo da Vale, assinou laudo da barragem)

- Rodrigo Artur Gomes Melo (funcionário da Vale)

- Ricardo de Oliveira (funcionário da Vale)

- Makoto Namba (engenheiro da Tüv Süd Brasil, que fez avaliações de risco da barragem)

- André Yum Yassuda (engenheiro da Tüv Süd Brasil, que fez avaliações de risco da barragem)

Na quinta-feira, a Polícia Federal seguiu com os depoimentos do inquérito ouvindo Peter Poppinga, diretor executivo de ferrosos e carvão da Vale, que se afastou da mineradora no dia 2 de março, e foi escolhido para negociar com o governo federal após a tragédia.

Na quarta, o presidente afastado da Vale, Fabio Schvartsman, também prestou depoimento sobre o caso na Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte. Ele chegou ao local por volta das 9h15 e saiu perto das 15h10.

Uma fonte ligada às investigações disse à Folha que o depoimento durou cerca de seis horas, sem pausas. Schvartsman, basicamente, negou saber sobre a situação específica de cada barragem da mineradora.

Ele comunicou ao conselho de administração da Vale sua saída temporária no dia 2 de março, um dia após uma recomendação assinada pelos órgãos que investigam o rompimento recomendarem seu afastamento.

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